"Absinto" é uma bebida destilada feito da erva Artemisia absinthium. Anis, funcho e por vezes outras ervas compõem a bebida. Ela foi criada e utilizada primeiramente como remédio pelo Dr. Pierre Ordinaire, médico francês que vivia em Couvet na Suíça por volta de 1792.É também conhecido popularmente de fada verde em virtude de um suposto efeito alucinógeno. Absinto, o blog, é um espaço para delírios pessoais e coletivos. Absinte-se e boa leitura.
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sexta-feira, 11 de junho de 2010

Os morangos que não mofaram

Outro dia eu e um amigo combinamos de comer manga ubá no quintal de minha casa. 

Será numa tarde com gosto de aula cabulada. Bem no meio da semana.

Ele vai chegar e tocar o sino que serve de campainha.
Melhor seria se pudesse chegar e ir entrando, anunciando-se ao som de palmas.

Antes que alguém me pergunte, as mangas, infelizmente, não nascem no meu quintal. Este é o trato. Eu entro com o lugar, ele com as mangas.
O tempo passou e ainda aguardo o dia desse encontro marcado. As agendas nem sempre permitem honrar compromissos importantes como estes. E a vida vai passando de janeiro a janeiro e cotidianamente adiamos a felicidade.


Na casa da minha avó a porta sempre estava entre aberta até o anoitecer. Até o dia em que roubaram um filtro de barro da casa vizinha e as chaves e trancas passaram a ter serventia em sua cidade.


Mesmo depois disso, o entra e sai de amigos era gostoso de se ver. Um dia, sem avisar, um primo chegou de carro trazendo um tucano que ganhara de um amigo. Tempos em que as leis do país não eram tão precisas quanto a guarda de animais silvestres.


Um dia era um tucano, no outro era um violeiro, era tanta gente que se chegava, trazendo frutas, feijão, galinha, ovos, e amizade.
E os verões eram mais alegres e os invernos mais acolhedores.


Outro dia meu amigo me ligou e me disse todo animado: vou promover a Festa do Morango em Alfredo Vasconcelos e eu, toda alegre com a notícia, logo emendei: então, já que não é tempo de manga, que venham os morangos.


Nesta deliciosa expectativa, fico esperando que o dia de fazer gazeta chegue logo, pois sei que nesta amizade não há o amargor dos morangos de Caio Fernando Abreu, mas apenas a correria das cidades grandes e das almas pequenas.