"Absinto" é uma bebida destilada feito da erva Artemisia absinthium. Anis, funcho e por vezes outras ervas compõem a bebida. Ela foi criada e utilizada primeiramente como remédio pelo Dr. Pierre Ordinaire, médico francês que vivia em Couvet na Suíça por volta de 1792.É também conhecido popularmente de fada verde em virtude de um suposto efeito alucinógeno. Absinto, o blog, é um espaço para delírios pessoais e coletivos. Absinte-se e boa leitura.
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sexta-feira, 22 de abril de 2011

Cai o pano


Assista acima ao trecho do filme Hanna e suas irmãs 
e veja ao final do post a versão musicada do poema de E.E. Cummings por Zeca Baleiro


Mesmo que eu adore ler e escrever, não posso negar. Eu como o mundo é com os olhos. Sou da geração do cinema e ainda peguei filas para conferir bons filmes em salas gigantes do meu saudoso Rio de Janeiro (Hoje a maioria transformada em templos religiosos.)


Ontem fui assistir “Rio” com minha família e amigos. E não é que me deparei com filas novamente? São os tempos do 3D que andam levando centenas de volta à telona. Mas, tirada a sensação dos óculos que nos permitem a sensação do tridimensional, onde estão os filmes que sacudiam o nosso pensamento? 


Antes de continuar, preciso dizer que Rio é um bom filme para o que se pretende. Meu filho de sete anos adorou. Ponto.


Tenho saudades do tempo em que saíamos de casa para assistir ao último filme do Wood Allen. Não importava a temática. Importava o autor. Hoje saímos de casa para assistir a sequencia de algum filme que deu certo na versão I, II, III = resultado certo de bilheteria.


A audácia ficou restrita ao século XIX? Por onde anda o prazer e o gozo pelo experimento?


É tudo milimetricamente calculado: o filme, a venda casada com brinde da avezinha do filme (deste eu escapei!), o combo de pipoca + refrigerante. Eu saí de casa para assistir cinema, onde está escrito que eu teria que ingerir pipoca transgênica com um big copo de refrigerante??? Ver as pessoas repetindo os mesmos atos trouxe à minha mente a imagem Tempos Modernos, do imortal Charles Chaplin.


Na minha adolescência era proibido entrar com comida nas grandes salas. Não ficarei espantada se daqui a alguns dias for instituído o intervalo nas seções para venda de mais comida. Talvez façam isso com os jogos de futebol, a exemplo do que acontece com o basebol norte-americano.


Voltando ao tema principal, por onde andam os grandes diretores do cinema? Chaplin, Fellini, Vittorio de Sica, Win Wenders. Pessoas que eram odiadas ou amadas, mas nunca indiferentes.


O cinema autoral acabou. Não há espaço para novas fórmulas. 


Ando carecendo de pensamentos oxigenantes, pessoas inteligentes e papos criativos. Bem humorados, sempre, mas de crítica avinagrada, este é o gosto de quem lhes escreve.


Caio o pano por aqui. Vou dar um giro pelos blogs amigos em busca de vida sagaz. Infelizmente, fui ao cinema e voltei com falta de ar. Acho que foi o ar condicionado do Shopping. Tenho alergia às obviedades.


Poema de Edward Estlin Cummings por Zeca Baleiro



somewhere i have never travelled, gladly beyond
somewhere i have never travelled, gladly beyond

any experience, your eyes have their silence:

in your most frail gesture are things which enclose me,
or which i cannot touch because they are too near

your slightest look easily will unclose me

though i have closed myself as fingers,

you open always petal by petal myself as Spring opens
(touching skilfully, mysteriously) her first rose

or if your wish be to close me, i and

my life will shut very beautifully, suddenly,

as when the heart of this flower imagines
the snow carefully everywhere descending;

nothing which we are to perceive in this world equals

the power of your intense fragility: whose texture

compels me with the color of its countries,
rendering death and forever with each breathing

(i do not know what it is about you that closes

and opens;only something in me understands

the voice of your eyes is deeper than all roses)
nobody, not even the rain, has such small hands