"Absinto" é uma bebida destilada feito da erva Artemisia absinthium. Anis, funcho e por vezes outras ervas compõem a bebida. Ela foi criada e utilizada primeiramente como remédio pelo Dr. Pierre Ordinaire, médico francês que vivia em Couvet na Suíça por volta de 1792.É também conhecido popularmente de fada verde em virtude de um suposto efeito alucinógeno. Absinto, o blog, é um espaço para delírios pessoais e coletivos. Absinte-se e boa leitura.
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terça-feira, 26 de abril de 2011

Metamorfose feminina



Ir ao médico é como consultar um sarcedote, um mediador entre os homens e a Divindade, capaz de orientar sobre os males do corpo e da alma. Assim a profissão foi forjada e assim ainda impera em nossa sociedade, mesmo que o paciente seja totalmente ateu.

Ele, o médico, detém um conhecimento que você não tem. Por isso só te resta a condição de entrega e de ser... paciente.

É como a relação de filho e mãe. Eu mando, você obedece. No entanto, qual é o filho que ao crescer não descobre que todo o saber de seus progenitores tem falhas? Ao tomarmos consciência de nossas imperfeições, encontramos, enfim, o livre arbítrio.

E diante a peregrinação a alguns consultórios, descubro revoltada que meus sarcedotes não são deuses! Começo a ouvir frases antes impensadas: “Não sei”, “vamos ter que investigar”, “virose”, “é hereditário”. Mas a pior e mais indefinida das respostas, aquela que dói na alma feminina é ouvir de quem quer que seja: “São os hormônios”.

Mulher é sinônimo de vulcão em atividade. Quem pensa que eles, os “hormônios”, aquietam-se após a menopausa, se engana. Então, desde que entra em seu primeiro ciclo menstrual, a mulher está fadada a ouvir: “são os hormônios”. Com se isso fosse o bastante, como se isso acalmasse e respondesse nossos humores.

Quem sabe são eles, “os hormônios”, os responsáveis pela nossa feitiçaria?  Chorar, brigar, entrar em uma grande melancolia, achar que vai morrer e um segundo depois perceber-se como a mais poderosa dos mortais na face da Terra.

Essa constante montanha russa assusta não só os homens, caros companheiros, mas às mulheres também. Insegura, irritada, mal-humorada, amável, sensível, pegajosa. Todos os papéis me cabem no espaço de trinta dias.

Enquanto a ciência continuar a se furtar em nos esclarecer termos como “viroses” e “hormônios”, a nós, homens e mulheres, restará aquela palavrinha irritante: resiliência. Perdoem-me o baixo calão, mas F..., porque, como diz uma amiga minha, depois de uma certa idade, não existe TPM, existe TPS – Tensão Para Sempre. E aí? Como fica, doutor?


Aviso da lua que menstrua / Elisa Lucinda

Moço, cuidado com ela!
Há que se ter cautela com esta gente que menstrua...
Imagine uma cachoeira às avessas:

Cada ato que faz, o corpo confessa.

Cuidado, moço

Às vezes parece erva, parece hera

Cuidado com essa gente que gera
Essa gente que se metamorfoseia
Metade legível, metade sereia.
Barriga cresce, explode humanidades
E ainda volta pro lugar que é o mesmo lugar
Mas é outro lugar...


domingo, 24 de outubro de 2010

De salto alto




Passou batom
Usou perfume
Vestido de seda
Salto alto
Entrou na festa com olhar de perdigueira
Resoluta.
Buscou a caça.
Ao telefone o encontro era certo.
Não estava
Desencontro? Vó doente? Dor de dente?
Atropelado, seqüestro-relâmpago, morte de parente?
A noite perdeu o brilho, ela perdeu o brilho.
Desencantada, Cinderela volta para casa.
Pelo retrovisor do carro a cena do cara. Nova namorada.
48 horas de luto. 
De nada adianta o consolo dos amigos
Choro compulsivo, pensamentos suicidas
No espelho procura pelas respostas:
Sou gorda de mais? Magra de mais? Alta, baixa, quieta, atirada?
O que tem de errado comigo?
No domingo, sol de Ipanema
Telefone toca, convite de amiga.
Põe seu biquíni novo, óculos escuros, saída de renda
Tira o salto.
Do alto de sua rasteirinha, encontra novo amor, tomando água de coco.