"Absinto" é uma bebida destilada feito da erva Artemisia absinthium. Anis, funcho e por vezes outras ervas compõem a bebida. Ela foi criada e utilizada primeiramente como remédio pelo Dr. Pierre Ordinaire, médico francês que vivia em Couvet na Suíça por volta de 1792.É também conhecido popularmente de fada verde em virtude de um suposto efeito alucinógeno. Absinto, o blog, é um espaço para delírios pessoais e coletivos. Absinte-se e boa leitura.
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quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

99 não é 100

Contar uma história triste e colocar na tela emociona.
Quem lida com mídia ou é atento a ela sabe que toda boa história se faz baseada nos sentimentos universais: amor – raiva – tristeza-medo-alegria.


Qualquer texto ou imagem terá sucesso em despertar esses sentimentos se bem conduzidos, bem forjados, no pior sentido da palavra.


Passei anos de minha vida sem me emocionar com o cinema depois que fiz essa cadeira na faculdade de jornalismo. Entrava na tela grande (muito antes dos tempos dos VHS-DVDs e Blu-Ray) e só conseguia enxergar os movimentos de câmera. Eu não queria me emocionar, eu não queria me deixar emocionar, eu não queria ser manipulada. 


Vik Muniz me emociona. Como artista plástico. Porque não é qualquer pessoa que senta no chão e fazer obra de arte com resto de cabelo e poeira. Ou usando material mais nobre como os diamantes que dão forma a rosto de atrizes famosas.


Com sua arte, ele nos proporciona um novo olhar e um novo uso a materiais inusitados. Poderia você lamber um quadro de Vik feito com calda de chocolate?
O olhar de Vik nos convida a outras angulações que não figuram nos manuais de roteiros para cinema e TV.


E utilizando da técnica mais comum nos dias de Grande Irmão – o olho que tudo vê de George Orwell-, convida-nos a interagir com uma proposta ainda mais inovadora – a arte no lixão Jardim Gramacho, em Duque de Caxias, Rio de Janeiro.


E é ai que Vik me emociona mais uma vez. Emociona porque sou humana, porque o filme mexe com amor-tristeza-raiva-medo-alegria. E porque em determinado momento ele coloca em xeque a própria ação de ajuda oferecida a essas pessoas: E depois da fama, o que restará?


Eu não poderia esperar de um filme de Vik menor plasticidade. E mesmo no pior submundo imaginado, há poesia. Há beleza. Há vida.


O sentimento toma conta e os atos (ou atores) falam por si. Suas vidas tão distantes da maioria do planeta nos remete a um mundo-lixo, com todas as analogias que estas palavras possam trazer aos meus parcos leitores.




Se Lixo Extraordinário ganhará um Oscar, pouco importa ( ou muito importa, quem sabe). Mas vale ser visto de coração aberto. Saboreando cada lágrima e cada sorriso.


E que as palavras de seu Valter ecoem em nossos ouvidos ao pensarmos nos rumos que estamos dando a Terra: "99 não é 100". E eu e você podemos fazer a diferença. Como fizeram e fazem Tião Santos, João Jardim, Lucy Walker, Karen Harley e Vik Muniz.


Parabéns a eles, pele conjunto da obra.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

De perto ninguém é normal

Victor Molev - Jim Morison
Outro dia recebi de um amigo uma dessas mensagens em Power Point que mostrava a obra do artista russo Victor Molev.

Logo que vi me lembrei do brasileiro Vik Muniz, aquele que faz arte com lixo, sucata, diamantes e caldas de chocolate. No início deste ano visitei uma exposição de Vik no Museu Oscar Niemeyer de Curitiba – MON

Vik Muniz elizabeth Taylor em Diamantes



Fiquei impressionada. Acho que a palavra que nos toca os lábios depois de vivenciar ambas as obras é esta.

Refletindo sobre o trabalho dos artistas, o que me toca a alma é pensar na releitura que é possível fazer quando nos distanciamos e nos aproximamos de situações.

Uma amiga comentou comigo a tristeza pelo fim de um relacionamento amoroso. Não há razões, certo ou errado, apenas pontos de vistas diferentes.


Uma vez me disseram: toda questão tem pelo menos 12 lados. Nossa! Como isso me soou familiar.

O maior legado deixado pelo meu pai foi me ensinar a viver com as diferenças. Isto não quer dizer que aprendi de todo a lição. Esta atitude necessita de uma dedicação diária.

É muito difícil abrir mão do nosso querer ao depararmos com o não-querer do outro. Como assim, não sou interessante o bastante para você? Ou ainda, o meu querer é menor do que o seu? Por que sou eu a ter que ceder? O tal consenso ou a concessão é um exercício que nem sempre queremos praticar. 

A questão é sempre a mesma – a expectativa que depositamos no outro de sermos ou não aprovados socialmente.

Quantas e quantas vezes nos sentimos magoados, pouco valorizados, injustiçados?

Iniciei em maio deste ano a leitura de um livro de Krishnamurti. Espero um dia terminá-la. O “anti-guru, anti-líder indiano, da casta dos Bramanês, nos fala de coisas como a mente torturada, a armadilha da responsabilidade, o aprender, o conhecer-se, a totalidade da vida, entre outras coisinhas bem profundas.

“Nós, entes humanos, somos os mesmos que éramos há milhões de anos – enormemente ávidos, invejosos, agressivos, ciumentos, ansiosos e desesperados, com ocasionais lampejos de alegria e afeição. Somos uma estanha mistura de ódio, medo e ternura; somos a um tempo a violência  e a paz.” (Krishnamurti – Liberte-se do Passado)


Bom, o fato é que nas afinidades e desafinidades apostamos em relacionamentos – amorosos ou não –, nos aproximamos uns do outro, vivenciamos nossos momentos de êxtase e, no instante seguinte, começamos a ver sem os olhos de espelho 
e o mundo desmorona. 

De perto, ninguém é normal. E o que fazer quando descobrimos que o outro não se encaixa no script que criamos em nossa mente? 

Quando percebemos isso e pulamos fora primeiro, tudo bem. Mas, quando é o outro que nos rejeita, aí se abre uma ferida enorme. A Paixão é bela quando vivida a dois.

Quando o outro não dá sinais de investimentos na relação, então é hora de encarar os fatos, cumprir o luto, xingar, alugar os amigos para descobrir que este outro não era nem tão bom, nem tão ruim.

Afinal, a julgar pelas obras de Vik e de Molev, de perto ou de longe, não somos tão feios assim, apenas projetamos visões diferentes, dependendo do ângulo de quem nos olha.