"Absinto" é uma bebida destilada feito da erva Artemisia absinthium. Anis, funcho e por vezes outras ervas compõem a bebida. Ela foi criada e utilizada primeiramente como remédio pelo Dr. Pierre Ordinaire, médico francês que vivia em Couvet na Suíça por volta de 1792.É também conhecido popularmente de fada verde em virtude de um suposto efeito alucinógeno. Absinto, o blog, é um espaço para delírios pessoais e coletivos. Absinte-se e boa leitura.
Mostrando postagens com marcador artes. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador artes. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

O homem que plantava livros



Tzviatko Kinchev_Open ArtGroup



O ser humano só se realiza quando se expressa ou será apenas mais um na multidão

Ele comeria tomates todos os dias. Com bastante azeite.  Tomates vermelhos, bem maduros, tomates carnudos. Comeria de se lambuzar. Devoraria tomates como devorava livros. Sim, livros estão mais ao seu alcance do que os tomates. Tomates brasileiros são verdes e sem gosto. Os livros revelam gostos requintados e infinitos.

Ele montou uma quitanda –biblioteca: Compre um quilo de batatas e leve um livro emprestado. Se trouxer um livro, pode trocar por outro. Pensou em estender a troca com as verduras e legumes: Traga um livro e leve um quilo de cenouras. Em pouco tempo estava lotado de livros mal cuidados e com as contas no vermelho. Voltou ao modelo antigo.

Após os primeiros meses, os livros estavam lambuzados de todas as matizes; do verde quiabo ao roxo berinjela. E ficaram menos atrativos. A vigilância sanitária implicou. Por ele, pararia com as verduras e ficaria com os livros. Mas isso não pagava suas despesas.

Acabou desistindo dos livros. Tornou-se amargo, mal humorado. Envenenado, sem cor.
Um dia, passou por ali uma cigarra esperta que o convidou a segui-la para o campo, onde ele poderia plantar sonhos. Ele aceitou. Hoje cultiva textos e sorri.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Absinto revelado

Vasken Brudian ", da Arte e Arquitetura: Um Discurso Contemporâneo"
Ando desvairada pela essência da vida. Amanheço com cobiça pelo experimento. Quase no topo da minha estrada cronológica, começo a envergar os ombros e questionar o tempo da descida. E, dentro do que é absolutamente presumível na existência humana, inicio uma entrega aos prazeres da arte. 

Descubro tintas, lãs, retomo às escritas não mais tão secretas. Como na primeira infância, absorvo tudo o que ouço e vejo, só que com ares de sabedoria. (Como somos tolos em acreditar que realmente sabemos alguma coisa neste imenso oceano de sentimentos).


Por puro instinto, sigo o que determina a biologia humana, aproveitando ao máximo as forças anímicas que ainda permitem meus traços de juventude. Cronos é impiedoso.

E um novo deus vem tomando meus devaneios, o deus das possibilidades, das tentativas sem culpas, sem expectativas. 


Já passou o tempo de provar ao mundo minha capacidade. O que fica, agora, é o gozo, a celebração da vida em toda sua plenitude.

Neste ritmo, vou me permitindo a ousadia de pisar em territórios antes inexplorados. O processo criativo tem muito de transpiração e pouco, muito pouco de inspiração. Mas é preciso estar atento para que algo se transforme em arte. 

As tintas, as letras, tecidos e agulhas. Tudo neste momento me permeia e tudo me interessa. 

Retiro do baú mil projetos abandonados e tento entrelaçá-los em uma ardilosa teia que conspira a favor do humano.