"Absinto" é uma bebida destilada feito da erva Artemisia absinthium. Anis, funcho e por vezes outras ervas compõem a bebida. Ela foi criada e utilizada primeiramente como remédio pelo Dr. Pierre Ordinaire, médico francês que vivia em Couvet na Suíça por volta de 1792.É também conhecido popularmente de fada verde em virtude de um suposto efeito alucinógeno. Absinto, o blog, é um espaço para delírios pessoais e coletivos. Absinte-se e boa leitura.
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quarta-feira, 16 de outubro de 2013

A gentileza da Crença

A frase martela a cabeça como uma lembrança doutrinária do catequismo. Amai-vos uns aos outros. E com ela a frase herdade de meu pai: O meu direito acaba quando o do outro começa. Aprendi a ler com o poeta Gentileza. Cada pilar dos viadutos do Rio de Janeiro ecoavam a mensagem de meu pai. E eu acreditei que o mundo era belo e que o mundo era bom. 

Depois veio a Lei do Gerson. E tudo isso ficou pequeno. Não que o meu olhar ou a minha crença tenham mudado. Mas ao redor vejo as pessoas me olharem com um tom de ingenuidade. Não sou ingênua. Tenho fé. Tenho fé no que me ensinaram ainda no berço. Mesmo não sendo católica, tenho fé no amor, no humano.

E como é difícil viver essa fé. Outro dia um amigo comentava comigo: “As pessoas querem que sejamos verdadeiras com elas, mas é difícil elas vivenciarem a verdade”. É mesmo. O amor acaba na primeira briga por um prato de comida. Que dirá por milhões de dólares. O ser humano anda muito doente. Doente da vista. O olhar perdido perambulando as vitrines. Almas sem valor. E se esqueceram de olhar para dentro, porque de dentro brota o amor. E a gente só dá o que tem.

Onde está a chama pela vida? Onde está a face corada pela indignação? Por onde anda a gentileza?

Chamam-me de ingênua porque defendo o parto normal. Mais ainda, o parto humanizado. Nascer é um momento sagrado. Um momento em que o ser humano carrega em si imprints que o acompanharão à vida toda. E nos hospitais públicos o que escutamos são frases carregadas de preconceito e desrespeito: “Na hora de fazer, não sentiu dor”. “Gozou? Agora aguenta”. A mulher esquecida, mais uma vez diminuída, solitária. A fêmea acuada no momento de sua maior plenitude. Para depois cair no anonimato “mãenzinha”.

Nas clínicas particulares, a hora marcada é quem guia os passos. A desinformação é tanta que um obstetra ainda hoje é capaz de mandar uma mulher grávida esfregar bucha nos seios para “prepará-los para amamentar”. Mas a cesária eletiva é certa. Com seus pontos doloridos, intercorrências veladas. Ninguém mais ajuda a mulher a parir. Parir é feio, parir é para bicho. Mulher moderna tem parto. Cesário. A cirurgia que veio para salvar vidas, hoje mutila corações.


Por que é tão difícil nascer sorrindo? Porque o seu direito acaba na hora em que o meu começa. E o meu direito tem hora marcada.

A abnegação dos monges, dos padres, dos pastores, dos voluntários. Isso é para ingênuos.

Hoje vou sair correndo com meu carro, brigar com o motorista que demora, o pedestre idoso que não sai do meu caminho, o morador de rua fétido na calçada.

É, o mundo não é tão belo, pai. E não é tão bom. Mas ainda acredito em você. Vou seguindo com a minha ingenuidade e pureza. Vou semeando flores. Quem sabe vendo o meu jardim, outras pessoas também resolvam cultivar carinho? Mesmo que ninguém mais cultive, estarei ali esperando que o homem possa nascer sorrindo.

Hoje acenderei uma vela por Jesus, por Buda, por Gentileza, pelo meu pai, pelo meu filho.

*esta postagem faz parte do Blog Action Day que acontece todos os anos na Internet em prol de um tema.

terça-feira, 19 de abril de 2011

1 aninho parabéns !


O Buteco do Lufe está completando um aninho e, para marcar a data, o proprietário nos convida a recordar a nossa infância e marcar presença com fantasia do nosso personagem inesquecível.


Foram tantos. Não posso esquecer da Turma da Mônica que ainda hoje gosto de ler e ver com o meu filho, do Sítio do Picapau Amarelo, que quando foi lançado o DVD da primeira versão da TV Globo rendeu lágrimas a mim e minha cunhada por um tempo bom que já se foi.


Daniel Azulai! Algodão doce pra você! Vila Césamo, passeio na Feira da Providência no Rio de Janeiro procurando o gigante Garibaldo, Fantasminha Pluft e, minha primeira leitura infanto juvenil, Peter Pan. 


Ainda há espaço para relembrar do bisavô dos Power Rangers, o Ultraman e do desenho animado Carangos e Motocas (Wheelie and the chopper bunch), onde o personagem mais marcante era a lambretinha que infernizava seu líder com o jargão: “Eu te disse, não te disse?” E como o mundo parava para eu assistir a corrida espetacular com Speed Race.


Mas a minha primeira lembrança ao desafio laçado pelo Lufe foi para o inesquecível Capitão Asa. Era mágico vê-lo na TV Tupi. Era como se fosse possível tocar as estrelas. Era real a promessa de um mundo de paz.


Estranho dizer isso de um personagem criado em plena ditadura militar cuja interpretação era feita por um policial civil da época? Sim, é, no mínimo, curioso.



O Capitão veio a falecer em 3 de Maio de 2003, com 75 anos, vítima de seu terceiro enfarte. 


Eu corria para frente da TV, ainda em preto e branco, para ouvir a chamada do programa e fica imaginando que seria possível viajar além do planeta azul. Este homem com óculos que mais pareciam olhos de uma enorme mosca foi um dos que me fez acreditar em sonhos.

Rudolf Steiner diz que na primeira e na segunda infância a mensagem que deve ser resguardada às crianças é de que o Mundo é Bom e de que o Mundo é Belo. Se alguma coisa deve ser sagrada neste mundo, é a inocência infantil. Pois elas, as crianças, terão todo o resto da existência para árduas jornadas.

Agradeço aqui a todos que fizeram da minha infância um mundo cheio de imaginação. Se sou hoje uma pessoa otimista, forte o bastante para dar a volta por cima quando a vida nos dá aquela rasteira inevitável, devo aos heróis da minha infância. Pais, tios, primos, vizinhos e os encantados personagens da televisão e dos livros.

Hoje vou vestir meu macacão de astronauta, entrar em minha nave espacial, chegar rasgando o céu de Belo Horizonte e aterrizar no Buteco do Lufe. Lá vou tirar meu capacete e pedir uma dose de Absinto.
Parabéns, Lufe, e obrigada por me permitir este doce resgate da minha memória.

Querido Wilson Vianna, alô, alô, onde você estiver, por este espaço sideral, receba um abraço de sua eterna fã.



quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Minha Idéia é meu pincel - Belo estranho

Paul Klee - The Rose Garden

primeira vez que vi um caleidoscópio tive a plena sensação de ter encontrado o sentido da vida.

Aquelas belas figuras ofereciam para mim a promessa de mudanças sem fim. A cada quadro, uma nova e surpreendente cena tomava cor e forma.

Demorou algum tempo para que eu percebesse que a roda da vida gira e se repete. Mas o encontro na mesma rua nunca será o mesmo.

O belo estranho me fascina. Sou como um gato vadio que necessita correr pela cidade por entre ruelas e serenatas.

Mas, ainda que me perca em labirintos, retorno ao território conhecido.

A cada pessoa que conheço renasce em mim as esperanças pela humanidade. 

Todos são belos, todos. Com seus contornos definidos em prismas de almas facetadas que prometem, sempre, novas revelações para quem tem olhos de ver e dedos para sentir.

Gosto de passear por este caleidoscópio de pessoas e paisagens. Em cada caminho, tento semear um pouco de mim e levar um pouco e tudo. No entanto, costumo pagar pelo excesso de bagagem.

Pouco me importar, desde que possa mirar e aprender com o novo e renascer possuída de um novo encantamento. 

Em minhas estradas, por vezes brotam rosas perfumadas e repletas de espinhos. São provas da minha existência. Nem santa, nem de toda pecadora. Nem certa, nem errada, apenas errante.