"Absinto" é uma bebida destilada feito da erva Artemisia absinthium. Anis, funcho e por vezes outras ervas compõem a bebida. Ela foi criada e utilizada primeiramente como remédio pelo Dr. Pierre Ordinaire, médico francês que vivia em Couvet na Suíça por volta de 1792.É também conhecido popularmente de fada verde em virtude de um suposto efeito alucinógeno. Absinto, o blog, é um espaço para delírios pessoais e coletivos. Absinte-se e boa leitura.
Mostrando postagens com marcador feminino. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador feminino. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 17 de setembro de 2013

Das cinzas



Click na foto e conheça o trabalho de Maria Turchenkova
Enquanto acreditar em teses, minha vida se esvai. Essa foi a última frase que ouvi de minha prima, antes de sua morte. Ela não queria esse mundo. E esse sentimento é tão profundo que quantos de nós não os sentimos todos os dias?

Eu não quero corrupção, mas dou o meu jeitinho. Acredito em parto humanizado, mas me conformo com uma cesariana eletiva. Acho que a mochila do meu filho anda pesada e que é um massacre a cobrança de estudar para um vestibular sobre uma criança de 7 anos, mas matriculo meu filho na escola mais competitiva da cidade. Eu amo dançar, mas não acho tempo. Adoro meus amigos, mas não tenho assunto com eles que não seja do meu interesse. Não sei escutar e quero ser ouvida. Não abraço e quero abraços. Não concordo com o trabalho que faço todos os dias, mas me arrumo e vou. Todos os dias. A vida se esvai por entre meus dedos. Não percebo. A vida se foi. Hoje estou velha e cansada. As pernas atrofiadas, o coração duro, o sorriso fugiu para algum lugar da inocência perdida.

Foi-se. E a fruteira da sala está vazia.

Não carrego memórias felizes, apenas momentos de ausência. Minha vida foi uma enorme ausência de mim mesma. Sem coragem para as coisas que verdadeiramente acredito.
Não me impus, não me encontrei, não me realizei. Agora sou sombra sem afago.

Hoje um véu se desvendou. Antes de enterrar minha prima, desenterro minha alma e volto ao jardim do mundo. Vou buscar o encanto. 

Hoje, amanheci mais leve.

terça-feira, 27 de agosto de 2013

A cidade das noivas


Eu estava em Roma pela primeira vez e já haviam me avisado que aos domingos a gente tropeça nelas.
E é por aí mesmo. Contamos 16 naquele dia. Encontramos algumas nas portas das relicárias igrejas. 
Entrando, saindo, esperando a hora de entrarem triunfantes. Algumas de carruagem, uma tirava fotos em um parque público. Outro casal de noivos subia a ladeira com o ar ofegante e com aquele sorriso de felicidade no rosto do “para sempre” dos contos de fadas.

Fiquei pensando onde estariam esses sorrisos em 10 anos. Uma pesquisa científica aponta que a paixão dura dois anos, depois o que fica é o amor e a cumplicidade, além de coisas menos nobres, como o costume ou a falta de vontade para mudar essa condição.

Mas as noivas de Roma com seus noivos de fraque não pareciam pensar em separação. A cerimônia em um dia de sol, os vestidos brancos, as flores de fim de primavera. E lá foram elas seguindo seus caminhos, cada uma com seu sonho e com seu ritual.

Recordando as noivas nessa cidade tão mística, não sei o porquê, me vem à lembrança as sacerdotisas de Vesta, deusa do fogo. As vestais eram sempre seis, escolhidas com a idade entre seis e 10 anos de idade, deveriam servir ao templo por 30 anos e manterem-se virgens. As vestais utilizavam um penteado chamado sex crines, um adorno com seis tranças. O mesmo penteado era usado pelas noivas da época.


As vestais estavam longe do julgo do pátrio poder, desde que cumprissem suas obrigações no templo.  Na Roma antiga, um condenado à morte teria duas maneiras de perdão. Concedido por César ou se na hora da execução de sua sentença cruzasse pelo seu caminho uma Vestal.

As vestais e as noivas de Roma teriam, além das tranças, o mesmo ar de felicidade? Embora fossem as únicas mulheres a fazerem parte da hierarquia religiosa de Roma, elas não tinham escolha. Eram vestais por imposição.

As noivas  de hoje já não se casam por dever, mesmo que essa prática ainda exista em algumas culturas, a maioria delas perpetuam, por prazer, seus sonhos de princesas modernas. Tão femininas em seus vestidos e babados. Rituais que permanecem, rituais do nosso tempo. Das vestais só restam histórias. Das noivas, o aroma e o encanto dos amores românticos.

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Sagrado Feminino



(Para Michelle e Adélia)
Elas são tantas, em tantas formas e mesuras,
Em tantas raças e culturas
Elas detêm o poder da terra e do fruto
 
Força que assusta.
O medo escurece o que é belo. Oprime.
A opressão cansa e submete

A submissão, a dor, a tristeza, a descrença, a aceitação do não.
A consumição.
As cinzas.

A mão amiga, o reencontro com Baba Yaga, o reencontro com a fé.
A roda da vida.

Mesmo com cabelos brancos, a menina-flor.
Ela renasce, e tudo floresce.