"Absinto" é uma bebida destilada feito da erva Artemisia absinthium. Anis, funcho e por vezes outras ervas compõem a bebida. Ela foi criada e utilizada primeiramente como remédio pelo Dr. Pierre Ordinaire, médico francês que vivia em Couvet na Suíça por volta de 1792.É também conhecido popularmente de fada verde em virtude de um suposto efeito alucinógeno. Absinto, o blog, é um espaço para delírios pessoais e coletivos. Absinte-se e boa leitura.
Mostrando postagens com marcador interiorização. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador interiorização. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Dias de colheita

Minha relação com a água já ficou evidente por aqui.
Mas tenho que dizer. De tanta chuva, estou de alma renovada.

Há muitos anos passei por um momento profissional difícil.
Era aquele tempo em que estamos no começo de carreira e precisamos provar a todo instante a nossa capacidade.

Nesta época, falava sempre para mim mesma: o mundo gira e a lusitana roda. Este era o meu mantra de todos os dias e de todas as horas.

Não sei bem o significado dessa expressão, mas soa como dizer, tudo muda, tudo passa. E passou.

Estes dois últimos anos também têm sido de muita indefinição no meu cotidiano.


Tanto que, não tendo muito por onde extravasar, vim parar aqui na blogosfera.

Escrever, então, era como se eu abrisse uma janela no 15º andar de um prédio e gritasse para todo mundo minhas angústias e dissabores.

E veio o período das chuvas e com ele a renovação dos meus caminhos e desejos.


De repente, vários sonhos guardados na gaveta começam a ganhar força e todo o universo conspirar a meu favor.

Ainda existem muitas angústias sem respostas, mas algumas coisas lindas começam a se concretizar.

E eu fico pensando, como somos pessoas de pouca fé. Não, não a fé religiosa, mas a fé no pensamento. Fé no plantar e no colher.

É impressionante como tudo que mentalizamos ganha contorno e sentido. Às vezes não do jeitinho que imaginávamos, mas, de repente, o que pensávamos ser impossível, se realiza.

Esta colheita de vontades demora. Até porque o nosso querer também demora a ser compreendido e por nós mesmos confirmado.

O mundo gira, a lusitana roda. Quando não encontramos mais saída, devíamos sempre pensar assim. Mas quem em pleno olho do furacão pode ser tão sensato?!

E, para falar a verdade, como é bom esse desespero pujante de vida.
É como briga de amor, quando se resolve.

Hoje estou em dias de nuvens brancas e suaves. Dançando e brindando meus dias de trégua.

domingo, 11 de julho de 2010

A travessia do Rubicão

No ano 49 a.C. precisamente no mês de janeiro, Caio Júlio César tomou uma decisão que mudou para sempre os caminhos de Roma. Alea jacta est. O curso d´água marcava a divisa entre a província da Gália Cisalpina e o território da cidade de Roma (posteriormente, a província da Itália). Uma vez percorrido o Rubicão, Júlio César sabia que não teria volta. Foi uma declaração de guerra civil contra Pompéia, que detinha poder sobre Roma.

E a sua coragem lhe rendeu o que viria a ser o Império Romano

Atravessar o Rubicão é uma metáfora de se lançar ao desconhecido com vigor e sedento de novas conquistas. A passagem do Rubicão é usada para exemplificar as mudanças que acontecem com crianças aos nove anos de idade.

Por volta desta época, a criança começa a ver pai e mãe não mais como exemplos da perfeição idolatrada, mas seres imperfeitos, não tão bonitos, não tão absolutos.

E aí dá aquele medo do desconhecido, aquela vontade de voltar a dormir na cama dos pais e não ter que se preocupar com absolutamente nada, ao mesmo tempo em que somos tomados por uma curiosidade eterna que nos impulsiona a seguirmos o nosso curso. Alea jacta est.

Mas não é só no universo infantil que vencemos o Rubicão. Por quantas vezes em nossa existência realizamos essas travessias?

Mergulhar no improvável é uma essência da alma humana.
Existe uma fase da vida ainda mais instigante, quando nos permitimos mergulhar novamente em águas já conhecidas, contudo com um olhar totalmente inusitado.
 


E simplesmente você se dá conta de que ipês amarelos florescem no inverno, o que torna esta estação do ano mais afável. E que o céu é de um frio azul, mesclado com um carmim dissoluto em uma névoa distante. Nas estradas, a poeira e o intenso vermelho das queimadas.

E nesta minha sexta travessia, músicas esquecidas nas gavetas apuram seus tons e antigos poetas pedem para serem revisitados.

Com certeza já não mergulho neste rio tão afoita como a menina de outrora, porém, o olhar das (re)descobertas forjam em mim sentimentos mais profundos que me permitem alcançar a outra margem com uma singularidade silenciosa.