"Absinto" é uma bebida destilada feito da erva Artemisia absinthium. Anis, funcho e por vezes outras ervas compõem a bebida. Ela foi criada e utilizada primeiramente como remédio pelo Dr. Pierre Ordinaire, médico francês que vivia em Couvet na Suíça por volta de 1792.É também conhecido popularmente de fada verde em virtude de um suposto efeito alucinógeno. Absinto, o blog, é um espaço para delírios pessoais e coletivos. Absinte-se e boa leitura.
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sábado, 2 de novembro de 2013

Caleidoscópio



Vidrilhos coloridos
Acolhem o meu olhar
Observo o mundo
Vasto e infinito?
Tantas escolhas
O que quero?
O que posso?
O pensamento vagueia.
Sorrio com as formas.
Retratos de almas,
Desenhos de Baubo, a deusa do ventre,
Mandalas do saber sagrado.
E Eu que nada sei,
Salto para dentro.
Lá no fundo, de ponta cabeça, flutuando solta.
Apenas um fio a me ligar com a Terra.
O mundo das gentes.
Estou lá e cá.
Às vezes mais lá.
Mas ainda há um fio.

domingo, 6 de outubro de 2013

O amor em mais de 12 lados



Foto domínio público
Lençóis revirados,
Dedinhos dos pés que se encostam
E aquele olhar que aquece mesmo no quarto escuro.
Colhi e ofertei muitos abraços profundos em dias de trovoada
E muitos sorrisos de vitória em dias de glória
Sempre presente,
O meu maior presente.
Mesmo com as brigas,
As rugas do tempo,
O mau humor que jorra de ambos os lados
Que nem jiló amargo
As lágrimas.
Nossa vida bordada como a música.
Como prometido no dia,
E na noite.
A cumplicidade de amantes,
O afeto em minha vida.
Doze são os astros,
Doze é nosso tempo agora.
Preciso de mais, muito mais para tecer em matizes todo o meu bem querer.
Amo-te hoje, ontem e amanhã também.
Delicadamente como a flor azul
Vorazmente com o vigor de mil luas.
Plena, gasta, exaurida e renovada.

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Sagrado Feminino



(Para Michelle e Adélia)
Elas são tantas, em tantas formas e mesuras,
Em tantas raças e culturas
Elas detêm o poder da terra e do fruto
 
Força que assusta.
O medo escurece o que é belo. Oprime.
A opressão cansa e submete

A submissão, a dor, a tristeza, a descrença, a aceitação do não.
A consumição.
As cinzas.

A mão amiga, o reencontro com Baba Yaga, o reencontro com a fé.
A roda da vida.

Mesmo com cabelos brancos, a menina-flor.
Ela renasce, e tudo floresce.

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Vazio





A alma feminina
Atravessou o salão
Como quem sabe o que quer
Sorriu sem olhar fixo
Conversou, brincou,
Sem deixar vestígios de que esteve ali
Verdadeiramente.
Saiu calada,
Sem fazer alarde
A alma
E o seu feminino.

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Harmônica

A música que me embala
Não toca na balada
É antes uma melodia
Que mexe na minha harmonia

Faz-me tremer a pele
É um sentir melancólico
Que me conecta ao humano

A música que me embala
Faz-me chorar pela guerra
Faz-me chorar pela paz
Faz-me sentir a tristeza e desejar a alegria

Talvez seja o meu feminino,
Que exala pela vida
Quando ouço minha música,
Talvez seja você me chamando
E eu respondendo

Entendo-te, Pertenço-te
Um pertencer de quem olha no espelho. E se reconhece.

segunda-feira, 29 de julho de 2013

Vida fugidia




O fogo enebria
desafia, fia o contorno de silhuetas
O fogo embriaga, abriga e transporta a alma
O fogo me leva e eu sumo em meio à intensa luz
O calor acalma a vida
E por um instante, sou plena
Leveza do ser solta no universo
Sem preocupações.
Apenas sendo.

sábado, 28 de maio de 2011

Fogo-fátuo




Ah como a ansiedade lhe aguça
Libertino, aberto, mete os pés pelas mãos
Cautela é o que precisa, para dar o bote na presa
Mas não há paciência para coração aflito
Pulsa o sangue, a libido
Como segurar? 
A espera é preciosa
Até que o corpo exploda
Incêndio é certo, total e desejado desalinho
Fogo que se apaga, apenas, e só apenas, depois de muita água...


João-galafoice corta estrada no matagal, a luz azulada corre para dentro da mata. Não há temente a Deus que se atreva a atravessar o mesmo caminho. Fica quieto, menino. Menino não pode se aquietar. O fogo, já queima seus mais intensos pensamentos. 

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Redoma de Vidro


Responda em dois atos. O que mais vale, amores vividos ou amores sonhados?
Amores vividos são como casa com visitas. Arrastam móveis, arranham o chão, sujam o tapete, fazem bagunça na cozinha, causam risos à meia-noite.

Amores sonhados são perfeitos encerrados em nossas mentes. Não desalinham a cama, não despenteiam nosso cabelo. Também não criticam. Também não afagam. São como pipocas sem sal, sem doce, sem graça.

Eu? Eu gosto de comida temperada.


Era de tardinha quando chegou à pequena aldeia
Não havia vestígios de sol, apenas casas de janelas cerradas.
Pela fresta da porta vizinha rompia o ar um aroma gostoso de caldo quente misturado com o da tinta fresca. A casa simples estava totalmente caiada. 
Entrou no velho casarão ainda sentindo frio.
Na sala, o chão vermelho encardido e no canto esquerdo um velho filtro de barro.
Apenas o gato veio ao seu encontro. Fez festa. Deixou a mala no quarto e saiu pelas ruas procurando um bar.

terça-feira, 12 de abril de 2011

Canto do Outono


Acalanto é um som que nos acolhe como colo de mãe. Vem suave, encanta os ouvidos.


Acalanto é um gesto feminino. Enxuga pranto, escuta, se cala.


Acalanto é o céu laranja do outono. A sensação do frio que não se instala, do calor conciso que ainda aquece. E quando o sol se põe, fica um vazio, um medo íntimo de que é hora de se recolher.


Lá fora a tarde cai, já anunciando que é hora de hibernar. Aqueço meu coração com um vermelho intenso. Pensamentos ardem como fogo em madeira boa.

quinta-feira, 17 de março de 2011

Desiderata


La Valse - Camille Clodell
alma alheia
Não se assemelha
À minha alma
Nem complementa
Mas é com gosto
Aconchegar-se neste corpo
Diferente,
Quente,
Até que o amanhã nos acorde do sonho
E desperte as almas
Distintas
Diversas
E para todo o sempre
Separadas.


segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

A lua girou, girou - Dia de São Valentim



Encantamento é a outra palavra para paixão

O fogo desnuda o véu para a obra

Acelera o fôlego, dá coragem

Não há maneira de reter as vontades

Vertentes são os caminhos do desejo

Que deságuam em mim e de mim

Corredeira sem medo, sem freios

Perfeição de atos

Despoja sabores

Colore a pele

Impregna sorriso

Tonto

Ligeiro

Mole

Brejeiro
E porque hoje  é Dia dos Namorados, Dia de amantes...




sábado, 8 de janeiro de 2011

O menino do final do beco


Franzino e de olhos assustados,

Ele não fazia parte do time da rua, 

não tinha bolinhas de gude e não subia em árvores.

Nunca molhou os pés nas poças formadas pelas chuvas.

Eu me encontrava com ele todos os dias na padaria no final da tarde.

Eu comprando pão. Ele balas.

Eu esperava um sorriso. Ele sempre distante.

Um dia o menino chegou não tão menino.

Tinha um jeito diferente e pela primeira vez ousou me olhar.

Senti sua respiração em meus cabelos enquanto falava comigo.

Não sei o que ele disse, nem me lembro o que respondi. 

Apenas repeti palavras desconexas.

O menino sorrindo,

O sorriso dourado.

Levei três meses, quatro dias e cinco noites 
para ter coragem de olhá-lo novamente.

Levamos seis anos, oito meses e sete dias para nos falarmos.

Então, começou a chover. 

E com pés descalços, descemos a Rua Direita de mãos dadas.

Crescer, às vezes, leva tempo. Às vezes, nunca acontece.