O grupo Pertubaziones fala na música que agosto é o mês mais frio do ano. Agosto é verão na Itália. As pessoas saem de férias e quem quieta nas grandes cidades sente imensa solidão.
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"Absinto" é uma bebida destilada feito da erva Artemisia absinthium. Anis, funcho e por vezes outras ervas compõem a bebida. Ela foi criada e utilizada primeiramente como remédio pelo Dr. Pierre Ordinaire, médico francês que vivia em Couvet na Suíça por volta de 1792.É também conhecido popularmente de fada verde em virtude de um suposto efeito alucinógeno. Absinto, o blog, é um espaço para delírios pessoais e coletivos. Absinte-se e boa leitura.
segunda-feira, 2 de novembro de 2009
Pertubaziones
O grupo Pertubaziones fala na música que agosto é o mês mais frio do ano. Agosto é verão na Itália. As pessoas saem de férias e quem quieta nas grandes cidades sente imensa solidão.
quinta-feira, 29 de outubro de 2009
Sobre urbes e estado de espírito

Visitei São Paulo e ela não me engoliu. Embora dê medo. Sempre tive medo de São Paulo. Medo do desconhecido, de não conseguir por a vista em tudo. O Rio é diferente. Você tem noção para onde está se indo.
Em São Paulo você anda embaixo da terra. A geografia agride.
Em meus pensamentos, sentiria mais segura em Paris, cidade que espero um dia conhecer, do que na terra de todos os imigrantes.
Depois de algumas poucas viagens para a grande capital – onde a garoa sempre foi minha companheira – me lancei aos túneis e desvendei alguns de seus lugares, não tão secretos, mas decididamente inesquecíveis. Neste dia, enfim, fazia sol.
E gostei. E quero voltar a provar o que provei. Porque todo mundo deve visitar um grande centro de tempos em tempos e lotar os pulmões de gente.
Vale ver vitrines (Desde que não seja em um shopping center, porque estes são os mesmos em qualquer parte do planeta, completamente previsíveis);



ouvir os vendedores de rua, experimentar as deliciosas cores e os irresistíveis aromas do Mercado Municipal;
olhar as caras cansadas de quem volta para casa no metrô, tentar imaginar como é a vida de cada um com quem passamos alguns segundos dentro de um mesmo vagão, para depois se perder e nunca mais se achar.
Em São Paulo se respira cultura, se transpira também. E se inspira.


Uma cidade assim personifica o nosso Aleph interior? Por alguns dias, com certeza.
No ato de descer a primeira plataforma, completamente sozinha, senti a coragem de Micael. (para quem não sabe, a primavera é a época de vencer batalhas internas).
Encontrar amigos que te acolhem, a cerveja gelada, os sorrisos de novos conhecidos. A despedida. E na volta solitária, o reencontro, o estar plena de vida, ouvir e dizer “te amo”.
domingo, 18 de outubro de 2009
Vida Capitosa

Com o tempo, vamos aprendendo com os movimentos cíclicos da vida e ficando mais sábias. Ou pelo menos deveríamos ficar.
Existem também os adoráveis bruxos que, embora nossa cultura teime em negar, têm lá as suas intuições certeiras.
Aos 20, 30, 40, seja a idade que for, sempre questionamos os caminhos percorridos. O que seria de nossas vidas se tivéssemos navegado por águas totalmente diferentes?
Sempre quis me lançar ao mar em uma viagem sem rumo. Existe algo mais libertário do que a imagem de um barco navegando pelos oceanos?
Para fazer esta viagem, eu preciso de meu porto seguro. A aventura e a introspecção. O encontro e a despedida.
Movimentos tão conhecidos de todo ser humano. Ondas compassadas, descompasso e novamente o compasso.
Se existe um mistério que aponta para a felicidade, é a nossa capacidade de renascer, eternamente, renascer.
O vento Sul tem na Voz
Um quê de individual –
Como ao captanearmos no Cais
Um endereço de Emigrante,
Sugere portos e Povos –
E muito de nebuloso
Dá mais encanto – à distância –
E também ao Estranhamento
(Emily Dickinson)
domingo, 11 de outubro de 2009
Feijão Guandu


quinta-feira, 8 de outubro de 2009
O Aleph

“Na parte inferior do degrau, à direita, vi uma pequena esfera furta-cor, e brilho quase intolerável (...) O diâmetro do Aleph seria de dois a três centímetros, mas o espaço cósmico ali estava, sem diminuição de tamanho.
Neste conto de 1969, o escritor argentino Jorge Luís Borges talvez tenha sido um visionário do que viria a ser um dia a internet. Todas as coisas possíveis e imagináveis observadas de uma só vez em uma pequena esfera flutuante no porão de uma casa antiga. A possibilidade quase enlouquece o personagem.
Em outro conto, A Biblioteca de Areia, Borges novamente nos remete a imagem deste mundo infinito:
“Abri-o ao acaso. Os caracteres me eram estranhos. (...) Trazia uma pequena ilustração... Foi então que o desconhecido disse: - Olhe-a bem. Já não a verá nunca mais. (...) Pediu-me que procurasse a primeira folha. Apoiei a mão esquerda sobre a portada e abri com o dedo polegar quase pegado ao indicador. Tudo foi inútil: sempre se interpunham várias folhas entre a portada e a mão. Era como se brotassem do livro. - Agora procure o final. Também fracassei”.
A nós, este mundo aberto igualmente fascina e amedronta. O quanto podemos ficar cativos a ele? Consultar o Google é um péssimo exercício para a memória. Mas quem resiste a uma espiadinha? Desvelar o passado, perseguir a notícia em tempo real. Uma atmosfera tão inconsistente, por vezes intangível, por vezes pouco confiável, e completamente apaixonante que nos faz repensar a relação espaço/tempo em nossa contemporaneidade.
Em Orlando, Virgínia Wolf descreve o seu personagem, amante das artes e das letras, ao despertar após várias “reencarnações” em uma livraria no final do século XIX. Orlando desmaia ao perceber que não mais dará conta de toda a produção literária do planeta.
Seremos seres fragmentados para todo o sempre. Olhares de prismas, faces refratárias, mente em constante movimentação. E neste grande globo, pertencemos a muitas tribos e a nenhuma. Afinal, quem consegue compreender todas as possibilidades de seu Aleph interior?
Descrevo essas sensações e penso em como conviver com esta superficialidade humana. O autor equaciona a problemática de maneira poética. A mim, resta a persistência da dúvida.
“Na rua, nas escadarias de Constitución, no metrô, pareceram-me familiares todas as faces. Tive medo de que não restasse uma só coisa capaz de surpreender-me, tive medo de que jamais me abandonasse a impressão de voltar. Felizmente, depois de algumas noites de insônia, agiu outra vez sobre mim o esquecimento”.
A Fada Verde
