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"Absinto" é uma bebida destilada feito da erva Artemisia absinthium. Anis, funcho e por vezes outras ervas compõem a bebida. Ela foi criada e utilizada primeiramente como remédio pelo Dr. Pierre Ordinaire, médico francês que vivia em Couvet na Suíça por volta de 1792.É também conhecido popularmente de fada verde em virtude de um suposto efeito alucinógeno. Absinto, o blog, é um espaço para delírios pessoais e coletivos. Absinte-se e boa leitura.
segunda-feira, 29 de março de 2010
Absinto de Outono
sábado, 27 de março de 2010
Mil objetos em um baú de madeira
Do meu avó paterno, herdei o gosto pelas coisas míticas, pela arte em madeira, um banquinho e um velho baú. sábado, 20 de março de 2010
Volevo un gatto nero !

O mundo está pleno de pessoas assim. Posso listar algumas que se quer evoluíram do egocentrismo infantil. Costumo brincar com meu filho: olhe ao redor do seu umbigo e veja se há algum planeta girando em torno dele !
Tudo bem que com sua vibrante imaginação ele consiga até ver detalhes e contornos de algum astro fictício na órbita de seu lindo ubiguinho. O perigo é ele crescer e continuar acreditando nisso.
No toma lá dá cá da vida, encontramos muitos de nós com a prática do só faço isso se você fizer aquilo. E perdem a essência do vivenciar junto. O desapego, o fazer por fazer. A troca espontânea é rara. É obvio que as pessoas se relacionam porque pressupõe trocas. Mas a exigência é perigosa.
Aprender a dizer não é tão difícil quanto a digerir um não. Compreender que certas parcerias não são possíveis, simplesmente porque não satisfazem amplamente os lados. E nem por isso outras parcerias não serão concretizadas, até entre as mesmas partes.
Lembro-me que quando era bem pequenina, uma prima distante veio me visitar nas férias. Brincamos juntas como siamesas até o momento em que ganhamos presentes iguais, mas de cores diferentes. Um era rosa, cor que as duas, embora meninas, abominavam. A outra, objeto do nosso desejo, azul. Nossa linda amizade se desfez naquele verão porque colocamos todo o nosso querer e gostar em uma simples espreguiçadeira de plástico comprada nas Lojas Americanas.
Foram dias até que o bico se desfizesse. Tenho que confessar que a errada era eu, a quem o destino havia reservado, na escolha, a espreguiçadeira cor de rosa. Hoje rio da história, embora, como qualquer ser humano, ainda cobice e relute em aceitar as parcerias não possíveis.
Para ilustrar esta nossa incapacidade, deixo este delicioso clip italiano com uma graciosa cantiga infantil.
Un coccodrillo vero,
Un vero alligatore
Ti ho detto che l'avevo
E l'avrei dato e te.
Ma i patti erano chiari:
Il coccodrillo a te
E tu dovevi dar
Un gatto nero a me.
Volevo un gatto nero, nero, nero,
Mi hai dato un gatto bianco
Ed io non ci sto più.
Volevo un gatto nero, nero, nero,
Siccome sei un bugiardo
Con te non gioco più.
Non era una giraffa
Di plastica o di stoffa:
Ma una in carne ed ossa
E l'avrei data e te.
Ma i patti erano chiari:
Una giraffa a te
E tu dovevi dare
Un gatto nero a me.
Volevo un gatto nero, nero, nero,
Mi hai dato un gatto bianco
Ed io non ci sto più.
Volevo un gatto nero, nero, nero,
Siccome sei un bugiardo
Con te non gioco più.
Un elefante indiano
Con tutto il baldacchino:
L'avevo nel giardino
E l'avrei dato e te.
Ma i patti erano chiari:
Un elefante a te
E tu dovevi dare
Un gatto nero a me.
Volevo un gatto nero, nero, nero,
Mi hai dato un gatto bianco
Ed io non ci sto più.
Volevo un gatto nero, nero, nero,
Siccome sei un bugiardo
Con te non gioco più.
I patti erano chiari:
L'intero zoo per te
E tu dovevi dare
Un gatto nero a me.
Volevo un gatto nero, nero, nero,
Invece è un gatto bianco
Quello che hai dato a me.
Volevo un gatto nero,
Ma insomma nero o bianco
Il gatto me lo tengo
E non do niente a te.
sábado, 13 de março de 2010
Você tem Índice de Valor Humano?

Omar é imigrante ilegal. Homem de muitas posses em seu país, veio para os Estados Unidos fugindo da guerra civil no Afeganistão. Em Cabul, todos os comerciantes vendiam a ele apenas na confiança, certos de que o pagamento viria no final de cada semana.
Minha avó dizia, que seu avô contava, que no tempo deles também era assim. O homem honrado e seu fio de bigode valiam mais do que qualquer papel registrado em cartório.
Hoje, os códigos de conduta não se baseiam mais na palavra empenhada. Tanto que em uma pesquisa realizada pela ONU em 2009, muitos dos brasileiros entrevistados citaram os valores morais como um dos principais itens que precisariam mudar no país para melhorar a vida do cidadão.
Em São Paulo, os valores ficaram em primeiro lugar entre todas as respostas. Por isso, a ONU decidiu fazer uma pesquisa específica para identificar que valores são esses.
A pesquisa vai até o final de maio de 2010. Os resultados vão criar um novo parâmetro para as Nações Unidas: o IVH, Índice de Valor Humano.
Então, vamos tirar as teias de aranha daquele “Livro das Virtudes”, que em algumas famílias costumam passar de geração a geração, e que ainda pode ser encontrado nas melhores lojas do ramo, e começar a pensar quais valores você acha que não podem faltar em sua vida.
Na minha lista, o primeiro deles é o respeito. Sempre achei que respeitar o próximo, a vontade do próximo, o momento de silêncio e de euforia do outro (Sem que isto signifique sua negação pessoal, é claro), é o principal alicerce para qualquer tipo de relação.
E não podem faltar a verdade, a honestidade, a solidariedade, o companheirismo, a compaixão. São palavrinhas capazes de revelar o caráter de quem você convive e que vão formar o seu Índice de Valor Humano.
Bom, não sei bem como a ONU vai mensurar isso, e também não sei bem que utilidade prática isso terá. Mas achei interessante essa presença de espírito dos tais pesquisadores. Demonstra, no mínimo, sensibilidade.
Um brinde aos valores. Que sejam renovados, relembrados, e, sobre tudo, praticados.
domingo, 7 de março de 2010
Para relembrar e pensar
Em 23 de agosto de 1945, nascia na cidade de Turim, Itália, aquela que viria a ser um desses sucessos internacionais indiscutíveis. Gostando ou não, quem está neste planeta desde os anos 60 e 70, em algum momento curtiu Datemi um martello.
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010
Mercado de sonhos

2010 chega com todas as reticências permissíveis a um livro aberto. Nós, brasileiros, temos a licença do Carnaval. Parada para pensar em nada. Ou pensar em tudo.
Enquanto guardo os confetes, para um outro ano, quem sabe, quando resolva cair na folia, penso como foi bom meu Carnaval. Adoro Carnaval. Uma festa democrática para se fazer tudo o que se quiser, sem padrões. É perfeito para mim, uma pessoa nada convencional.
Caí na folia dos amigos. Encontros, livros, curti o deus-Sol, as irmãs estrelas no aconchego do lar. Ao longe uma leve batucada, muito bem-vinda. Nenhum funk, nenhum bloco, silêncio nas casas vizinhas. Paz e tranqüilidade de mosteiro. Parece heresia? Tudo é possível na festa de Momo, não?
Hoje sacudi as cinzas e sorvi cada minuto, aproveitando o tempo até a última gota.
Amanhã o ano enfim terá início com gosto de Semana Santa. E eu começo a apreciar a delicada arte de reinventar os caminhos. Já que o improvável é sinal de vida nas veias.
Não é preciso consenso sobre a arte,
É preciso antes o gostar interior,
para se ter a certeza do aceitar e rejeitar o que a vida nos oferece
As sombras das escolhas são próprias da adolescência
Vivo o gosto do tempo maduro, do não-medo, bem propício a novas realizações.
domingo, 20 de dezembro de 2009
O tempo, as lembranças e as coisas não vividas
Eu tenho que admitir, em matéria de mudar e marcar, famoso artigo de Airton Luiz Mendonça, publicado no Estado de São Paulo, o ano de 2009 foi bem apropriado para vencer desafios e sair do lugar comum.
Para quem tem filhos, como eu, já conta com um grande aliado no quesito quebrar rotinas. Doença de filho tira a gente do sério. Este ano, a H1N1 teve o papel de nos deixar em pé de alerta ao sinal de qualquer resfriado ou febre.
A dengue até perdeu o seu destaque de musa do verão. No meu caso, ainda somaram-se enormes reviravoltas no trabalho em um cenário político de montanha russa. Nada, absolutamente nada, que eu pudesse controlar.
Em seu texto, Airton explica que a sensação de que o tempo passa mais rápido está diretamente relacionado com o nosso tempo de vida. Diga-me quantos cajus você possui (expressão nordestina para se contar a idade) e eu te direi o quanto o relógio pode estar acelerado no seu dia-a-dia.
O nosso cérebro mede o tempo observando os movimentos que nos cerca. Por isso a expressão, também nordestina (ou quiçá lusitana) usada tão deliciosamente por Elomar:
“Nos encontraremos novamente na quadra certa da lua”.
E se ela não chegar, é porque não era para ser. O mundo é cíclico porque nós o compreendemos assim.
Se alguém colocar você dentro de uma sala branca vazia, sem portas ou janelas e sem relógio, você começará a perder a noção do tempo. Sem a noção exterior dos movimentos, você passará a medir o tempo pelos seus movimentos internos, como os batimentos cardíacos, ciclos de sono, fome, sede e pressão sanguínea.
Um cérebro adulto registra entre 40 e 60 mil pensamentos por dia. Para que você não enlouqueça, ele evita processar a mesma informação duas vezes.
Por isso, por mais belo que seja um por do sol, se você tem o privilégio de morar em uma ilha paradisíaca e vê-lo todos os dias, você passa a não ”enxergá-lo”.
Então, Airton nos ensina uma receita de eterna juventude: O Mude e Marque, ou como ele charmosamente chama de M&M. E 2009 me proporcionou isto, sem que precisasse fazer muitos esforços. Este foi um ano de provas e expiações kardecistas. Tudo o que foi programado, premeditado, não colheu frutos. A rotina fez as malas e saiu sem rumo.
A sensação de não estar no controle é desagradável até o momento em que nos entregamos a ela. Não há o que fazer, não há o que semear, como disse Clarrisa Pinkola Estés, em O Jardineiro que tinha fé. Vamos arar o terreno e esperar as sementes que o vento nos trará.
Tenho algumas pessoas a agradecer nesta jornada. Paulo, meu companheiro, um sábio que tem a medida exata da arte do saber esperar e do saber agir, ao meu filho, que todos os dias me ensina uma nova maneira de ver a vida, e me mostra o quanto ainda preciso soltar minhas amarras e simplesmente me entregar ao sentimento.
E algumas sementes que começaram a germinar no meu jardim. Deborah, duas Andréas, Polyana, Júlio, Soraya, Vilma, Robert, Regina, Isis, Bruno, Carolina, Francine...
Outras que vieram há mais tempo e que já são pequenas mudas. Cleide, Kelly, Aline, Tereza, Serginho, Fernando, Raul, Marilise, Pollyana, Dora, Ramon, Letícia, Marco...
No meu jardim também há árvores frondosas que há algum tempo não saboreava seus frutos e que neste ano eu pude colher alguns. Meu reencontro com Silvia foi assim, como se nunca houvesse separação. Porque na verdade não há.
Também tiveram pessoas que vieram e passaram, mas que deixaram seu registro, como a doce Jesane, que nunca sequer saberá que citei seu nome por aqui.
Em um universo tão místico, sigo minha caminhada. Não há certezas, não há sequer estradas traçadas. Apenas a vontade de semear e de me superar. Aliás, essa é a melhor parte.
