"Absinto" é uma bebida destilada feito da erva Artemisia absinthium. Anis, funcho e por vezes outras ervas compõem a bebida. Ela foi criada e utilizada primeiramente como remédio pelo Dr. Pierre Ordinaire, médico francês que vivia em Couvet na Suíça por volta de 1792.É também conhecido popularmente de fada verde em virtude de um suposto efeito alucinógeno. Absinto, o blog, é um espaço para delírios pessoais e coletivos. Absinte-se e boa leitura.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Toque a música

Há coisas na vida que deveriam ter a chancela da chamada "venda casada", mesmo que esta seja uma prática comercial proibida por lei em nosso país. Ou, melhor dizendo, coisas que são como Romeu e Julieta, unha e carne, Cosme e Damião.

Há tempos que vinha sentindo falta de algo neste blog, aquilo que seria a goiabada do queijo. E isto era a música.

A música para mim e o prazer da leitura são coisas que se complementam.

Então, aproveitando o feriado prolongado, segui os passos da minha amiga Isis do blog poderosa.com e, enfim, consegui produzir minha primeira rádio virtual.

Não sei se o som agrada, não sei se funciona bem na casa de todos os visitantes. Porém, ao que pese as possíveis falhas tecnológicas, esta é mais uma forma de expressão que encontrei em Absinto.

Então, espero que você curta a novidade.

Puxe uma cadeira por aí, pegue uma taça e bons delírios.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Dia das Crianças - Do que realmente seu filho precisa?

Este vídeo foi publicado no blog da Carolina Duarte
Gostei tanto que trouxe para cá e complemento 
com um pequeno diálogo entre mãe e filho. 
Boa reflexão !


- Mamãe, você me compra um carrinho que muda de cor quando molha?

- Meu filho, você nem gosta de brincar de carrinhos.

- Então, me compra um dinossauro, aquele enooorme que anda e faz barulho?

- Aquele é muito caro, meu filho. Com o dinheiro que pedem por ele, dá para compra um tantão de outras coisas.

- Mamãe, eu não aguento mais de vontade de ir ao Mac Donald´s!!!

- Por que, meu filho?

- Porque toda hora aparece na TV e eu fico com uma vontade danada de ir lá ganhar um brinquedinho.

- Meu filho, você nem gosta da comida de lá! E os brinquedinhos acabam encostados em algum canto logo no dia seguinte.

- Mamãe, o que você vai me dar de Dia das Crianças?

- Vou brincar com você o dia todo do que você quiser.

- A gente pode brincar de fazendinha com chuchu, batatinhas e colocar pernas de fósforos?

- Pode, meu filho.

- Mamãe, eu te amo !

terça-feira, 5 de outubro de 2010

De perto ninguém é normal

Victor Molev - Jim Morison
Outro dia recebi de um amigo uma dessas mensagens em Power Point que mostrava a obra do artista russo Victor Molev.

Logo que vi me lembrei do brasileiro Vik Muniz, aquele que faz arte com lixo, sucata, diamantes e caldas de chocolate. No início deste ano visitei uma exposição de Vik no Museu Oscar Niemeyer de Curitiba – MON

Vik Muniz elizabeth Taylor em Diamantes



Fiquei impressionada. Acho que a palavra que nos toca os lábios depois de vivenciar ambas as obras é esta.

Refletindo sobre o trabalho dos artistas, o que me toca a alma é pensar na releitura que é possível fazer quando nos distanciamos e nos aproximamos de situações.

Uma amiga comentou comigo a tristeza pelo fim de um relacionamento amoroso. Não há razões, certo ou errado, apenas pontos de vistas diferentes.


Uma vez me disseram: toda questão tem pelo menos 12 lados. Nossa! Como isso me soou familiar.

O maior legado deixado pelo meu pai foi me ensinar a viver com as diferenças. Isto não quer dizer que aprendi de todo a lição. Esta atitude necessita de uma dedicação diária.

É muito difícil abrir mão do nosso querer ao depararmos com o não-querer do outro. Como assim, não sou interessante o bastante para você? Ou ainda, o meu querer é menor do que o seu? Por que sou eu a ter que ceder? O tal consenso ou a concessão é um exercício que nem sempre queremos praticar. 

A questão é sempre a mesma – a expectativa que depositamos no outro de sermos ou não aprovados socialmente.

Quantas e quantas vezes nos sentimos magoados, pouco valorizados, injustiçados?

Iniciei em maio deste ano a leitura de um livro de Krishnamurti. Espero um dia terminá-la. O “anti-guru, anti-líder indiano, da casta dos Bramanês, nos fala de coisas como a mente torturada, a armadilha da responsabilidade, o aprender, o conhecer-se, a totalidade da vida, entre outras coisinhas bem profundas.

“Nós, entes humanos, somos os mesmos que éramos há milhões de anos – enormemente ávidos, invejosos, agressivos, ciumentos, ansiosos e desesperados, com ocasionais lampejos de alegria e afeição. Somos uma estanha mistura de ódio, medo e ternura; somos a um tempo a violência  e a paz.” (Krishnamurti – Liberte-se do Passado)


Bom, o fato é que nas afinidades e desafinidades apostamos em relacionamentos – amorosos ou não –, nos aproximamos uns do outro, vivenciamos nossos momentos de êxtase e, no instante seguinte, começamos a ver sem os olhos de espelho 
e o mundo desmorona. 

De perto, ninguém é normal. E o que fazer quando descobrimos que o outro não se encaixa no script que criamos em nossa mente? 

Quando percebemos isso e pulamos fora primeiro, tudo bem. Mas, quando é o outro que nos rejeita, aí se abre uma ferida enorme. A Paixão é bela quando vivida a dois.

Quando o outro não dá sinais de investimentos na relação, então é hora de encarar os fatos, cumprir o luto, xingar, alugar os amigos para descobrir que este outro não era nem tão bom, nem tão ruim.

Afinal, a julgar pelas obras de Vik e de Molev, de perto ou de longe, não somos tão feios assim, apenas projetamos visões diferentes, dependendo do ângulo de quem nos olha.

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Caipirinha de Lima

Não sou muito de beber, mas há dias que a vida pede uma dose (ou duas). Apenas para relaxar e continuar seguindo. Tenho um amigo que voltou a fumar esta semana. É só um maço, me disse. Já está no segundo. Comprou logo que o primeiro acabou. Eu preciso, me disse.

Vou convidá-lo para uma caipirinha de lima. Temperada com adoçante. Não, não é por estética, é pelo gosto.

Vamos combinar que é uma hipocrisia dizer que café com adoçante é gostoso. Mas na caipirinha de lima não é que combina?



Outro dia li em uma revista que o Brasil é o país que mais consome Rivotril. 


A conclusão é que é pelo preço. Embora brasileiro não tenha hábito de ir ao psiquiatra, o medicamento cabe no orçamento e cumpre seu papel: por umas horas te transporta para outras esferas.

No livro Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley (que admiravelmente continua bem atual, embora escrito em 1953), a população foge de seus problemas usando o SOMA - um alucinógeno perfeito sem efeitos colaterais.

Ontem fiquei com a cabeça tão cheia que precisava fugir. Assim fiz. Há dois dias tomo um relaxante muscular porque o resfriado que me aflige não me permite o consumo de destilados, eles (os destilados) ressecam a alma.

O fato é que me rendi ao remédio farmacêutico e meus problemas saíram do meu corpo (ou será que fui eu é quem saí?)

Entendo o meu amigo do cigarro. As muletas, às vezes, são necessárias.

Cometer algumas loucuras é o que faz de nós pessoas ditas como sãs. É preciso extrapolar para continuar a viver. 


Um beijo roubado, uma dança audaciosa, soltar de pára-quedas, qualquer aventura é bem-vinda para preencher as lacunas entre um bom senso e outro.

Penso nos meus dragões de moinhos de vento.

Na fruteira, a lima me chama.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Cheiro de Chuva

Spring Rain por Udo Erasmus e Gary Bandzmer
Na noite anterior fiquei até tarde observando as formigas na pia da cozinha


Minha avó sempre dizia: sinal de chuva

O calor intenso merecia o presságio

Pensei nas lágrimas, também umedecem

Sorvi idéias e delírios

Noite de espera

Lembrei de quantos anos não me molhava na chuva

Então, saí para a rua e brindei a Primavera.

sábado, 11 de setembro de 2010

Saci é lenda !

Na esquina da rua havia um canteiro com flores.

O canteiro caiado de branco chamava minha atenção pelo contraste com as pétalas carmim, amarelas, roxas e azuis.

Sentada na janela de madeira na casa do outro lado da rua, buscava o colorido do dia naquele pedacinho de terra. De onde viriam? As cores.

Durante muitos anos da minha infância essa pergunta me perseguiu em sonhos e nas longas viagens do Rio de Janeiro à casa de minha avó materna no interior de Minas Gerais.


Tudo para mim naquela cidade – e naquela idade – tinha sabor e um colorido especial. Buscar leite na vizinha, o cheiro de pão quentinho que exalava na esquina da rua e que em um minuto tomava conta de toda vizinhança. Do brincar na rua até altas horas e só entrar porque não havia mais luz que permitisse novas travessuras.

Banho no gato, a contra gosto do bichano, é claro, cavar buraco no quintal só para encontrar as mãos do outro lado, roubar goiabas pelo simples gosto de fazer coisa errada, tocar campainha na casa dos outros, coisa danada de boa, sô!


Outro dia, saindo de uma aula de pintura com os dedos sujos de giz pastel, brinquei com meu filho e sua amiguinha de escola: Vindo para cá, para me encontrar com vocês, vi um arco-íris tão baixinho que consegui passar os dedos por ele e olhem como minha mão ficou repleta de cores. A menina de quatro anos arregalou os olhos e perguntou: Verdade? Meu filho, com seis, Foi certeiro: Mentira, mamãe!


Passado dois dias, nós dois no carro, ele me indaga: Mamãe, hoje você encontrou com aquele arco-íris?


Das férias de verão na casa de minha avó materna, guardo esta ingenuidade, este jogo de querer e não querer acreditar no improvável. Como dormir com a cabeça coberta por um cobertor e no dia seguinte acordar transformada em lobisomem. Os primos contaram e até hoje não consigo dormir com o rosto coberto. 


Olhando para trás, fico muito feliz de ter tido infância. Olhando para frente, arregalo as vistas com muita curiosidade quando meu filho me diz: 



- Mamãe, a fada do dente vai levar meu dentinho e deixar um presente debaixo do travesseiro. - Verdade? Mas às vezes ela deixa o presente e o dentinho, meu filho. 
- Não, mamãe, ela leva mesmo.

No dia seguinte, a “fada” havia deixado um livrinho de histórias muito bem embrulhado e ele me diz:



 - Mamãe ! A fada do dente pediu ajuda para o Papai Noel!

Passando por um caminho cheio de árvores para ir para sua escola, sempre brincamos que ali é uma floresta aonde habitam seres mágicos.

Há dias, no entanto, que ele me responde solene, com ares de adulto:

- Mamãe, Saci é lenda.

domingo, 5 de setembro de 2010

Vento de Pipa


pintura de juliane mercante

No meio de uma improvável tarde quente em um fim de inverno, 
vento norte revela os primeiros sinais da primavera.

Folhas secas invadem a varanda do quarto

Na cama, dois amantes entregues à própria sorte. 
Não mais uno. Dois corpos.

Distantes, quadro de um instante após o ato.
O calor, a boca seca. Sono intenso. Cheiro bom no ar.

Lá fora o vento chama
Cá dentro as almas descansam

Embora os uivos insistam em penetrar os ouvidos, simplesmente não há forças.

Uivo bom

Vento de pipa

Corpos salgados

Sorriso na boca

Olhos cerrados