"Absinto" é uma bebida destilada feito da erva Artemisia absinthium. Anis, funcho e por vezes outras ervas compõem a bebida. Ela foi criada e utilizada primeiramente como remédio pelo Dr. Pierre Ordinaire, médico francês que vivia em Couvet na Suíça por volta de 1792.É também conhecido popularmente de fada verde em virtude de um suposto efeito alucinógeno. Absinto, o blog, é um espaço para delírios pessoais e coletivos. Absinte-se e boa leitura.

sábado, 6 de novembro de 2010

Prêmio Dardos


O Prêmio Dardos é o reconhecimento dos ideais que cada blogueiro emprega ao transmitir valores culturais, éticos, literários, pessoais etc, que, em suma, demonstram sua criatividade através do pensamento vivo que está e permanece intacto entre suas letras, e suas palavras. 

Esses selos foram criados com a intenção de promover a confraternização entre os blogueiros, uma forma de demonstrar o carinho e reconhecimento por um trabalho que agregue valor à Web.

O Rogério Pereira http://conversavinagrada.blogspot.com/ achou que eu merecia a honra de ser brindada com tal troféu. E eu fiquei muito lisongeada com a homenagem.

O Prémio Dardos tem as seguintes regras: Exibir a imagem do Selo no blogue; Revelar o link do blogue que me atribuiu o Prêmio; Escolher dez ou mais blogueiros para premiar.

Tentei retirar os que já receberam este selo. Mas, se alguém já ganhou, considere-se duplamente homenageado.

Mesmo assim minha lista ainda ficou enorme, mas vamos lá:

1 – Apenas um cadinho de Poesia, da minha querida Xará Malu  

2 – Meu amigo Alexandre http://lostinjapan.portalnippon.com/

3 – Elenir com o seu http://viajenajanela.blogspot.com/

4 -Pela janela de minha alma  http://pelajanelademinhaalma.blogspot.com/


6 – O imperdível Mattosquela - http://mattosquela.blogspot.com/


8 – A querida Glorinha http://cafecomglorinha.blogspot.com/

9 – O melhor Buteco do planeta - http://butecodolufe.blogspot.com/

10 – Grace e seu olhar apaixonante sobre a África http://graceolsson.com/blog/

11 – A leitura de Proa http://analuciaproa.blogspot.com/


13 – Casa da Claridade http://casaclaridade.blogspot.com/




17 – Mauro Morais  http://omauromorais.blogspot.com/



20 – Parto do Princípio http://partodoprincipio.blogspot.com/

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Toada para Berenice

Summer Flowers por Elaine Jackson

A fadiga bate a porta
Sono intenso,
barulho de formiga incomoda
Olhos cerrados
Pensamento não tem pouso


Rasgo a carta de navegação
Não há rumo porque este independe das minhas escolhas
Os sonhos desfeitos me lembram a Menina e o Leite
Sigo impotente deixando que o acaso semeie o meu caminho


Aí conheci Berenice.
Menina de seis anos, em fila de adoção
"Tia, tá doendo". Dor de dente


Uma semana à base de analgésicos. Nenhum tratamento
Ganha cuidados de dentista amigo. O dente já em estado de putrefação


Volto para casa.
Berenice no abrigo dorme hoje sem dor


Não sou do tipo que julga a dor maior de um com a dor menor do outro
Todas são dores, cada um constrói e destrói os seus fantasmas


Mas por horas meus desalentos ficaram pequenos
Eu rezo por Berenice

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Minha Idéia é meu pincel - Belo estranho

Paul Klee - The Rose Garden

primeira vez que vi um caleidoscópio tive a plena sensação de ter encontrado o sentido da vida.

Aquelas belas figuras ofereciam para mim a promessa de mudanças sem fim. A cada quadro, uma nova e surpreendente cena tomava cor e forma.

Demorou algum tempo para que eu percebesse que a roda da vida gira e se repete. Mas o encontro na mesma rua nunca será o mesmo.

O belo estranho me fascina. Sou como um gato vadio que necessita correr pela cidade por entre ruelas e serenatas.

Mas, ainda que me perca em labirintos, retorno ao território conhecido.

A cada pessoa que conheço renasce em mim as esperanças pela humanidade. 

Todos são belos, todos. Com seus contornos definidos em prismas de almas facetadas que prometem, sempre, novas revelações para quem tem olhos de ver e dedos para sentir.

Gosto de passear por este caleidoscópio de pessoas e paisagens. Em cada caminho, tento semear um pouco de mim e levar um pouco e tudo. No entanto, costumo pagar pelo excesso de bagagem.

Pouco me importar, desde que possa mirar e aprender com o novo e renascer possuída de um novo encantamento. 

Em minhas estradas, por vezes brotam rosas perfumadas e repletas de espinhos. São provas da minha existência. Nem santa, nem de toda pecadora. Nem certa, nem errada, apenas errante.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Minha idéia é meu pincel - Inundada em cores


Irises in Monet's Garden


Pretendia dizer eu ao ilusório que ele estava enganado ao meu respeito.
Sou feita de terra, não é qualquer sonho que me faz divagar.
Por outro lado, trago em minha essência um gosto constante pela curiosidade das coisas.
Foi isso que me fez provar o apetitoso pãozinho coberto de açúcar e recheado de anis.
Em sua borda, as inscrições “Coma-me” levaram-me ao mundo de Alice.
No entanto, era o desafio da esfinge que me intrigava: “ou devoro-te”.
Atravessei o jardim embriagada pela fragrância das flores. 
O lago ao fundo prometia. Mas o gostoso mesmo era perder-se nas matizes e entre tons.
Voltei para casa trazendo no corpo um cheiro de erva-doce.



Leitores, esta é uma participação na Blogagem Coletiva  proposta pela Glorinha de Lion em seu blog. A proposta é escrever o seu sentimento sobre um quadro escolhido toda semana. A brincadeira começou.
 Quem quiser participar, é só dar uma passadinha no blog dela.
Esta foi a minha viagem pelo quadro de Monet.

domingo, 24 de outubro de 2010

De salto alto




Passou batom
Usou perfume
Vestido de seda
Salto alto
Entrou na festa com olhar de perdigueira
Resoluta.
Buscou a caça.
Ao telefone o encontro era certo.
Não estava
Desencontro? Vó doente? Dor de dente?
Atropelado, seqüestro-relâmpago, morte de parente?
A noite perdeu o brilho, ela perdeu o brilho.
Desencantada, Cinderela volta para casa.
Pelo retrovisor do carro a cena do cara. Nova namorada.
48 horas de luto. 
De nada adianta o consolo dos amigos
Choro compulsivo, pensamentos suicidas
No espelho procura pelas respostas:
Sou gorda de mais? Magra de mais? Alta, baixa, quieta, atirada?
O que tem de errado comigo?
No domingo, sol de Ipanema
Telefone toca, convite de amiga.
Põe seu biquíni novo, óculos escuros, saída de renda
Tira o salto.
Do alto de sua rasteirinha, encontra novo amor, tomando água de coco.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Segredos de menina



Todas as manhãs quando acordava, permanecia alguns minutos ainda deitada na cama de olhos fechados apenas com a sensação gostosa de ouvir vozes na cozinha de minha avó. Sempre me punha a imaginar que escutaria dali um segredo de família que nunca houve. Entre as frases recortadas seguia-se o cheiro do café que desde menina minha mãe me ensinou a apreciar.

Eram férias de verão. A casa de minha avó não tinha forro. No teto, era possível ver as telhas e ouvir, por vezes, sons de morcegos que sobrevoavam a noite. Os visitantes, mesmo não sendo freqüentes, rendiam histórias sem fim entre os primos e primas já debaixo dos cobertores.

Em janeiro sempre chovia. E nas tardes de chuva intensa, nossos olhos seguiam pregados nas janelas atentos aos rios e lagos que se formavam pelas ruas. Ficávamos a calcular em uma matemática ainda não aprendida qual o melhor local para darmos um grande salto, capaz de molhar quanto mais pudéssemos o nosso corpo.

O tempo também se media pela quantidade de barquinhos de papel que conseguíamos produzir para lançá-los após a chuva intensa. Muitos afundavam antes da curva na rua de baixo. Outros seguiam heróicos pelos caminhos da enxurrada, enchendo de orgulho o seu construtor.

São histórias singelas de uma infância querida, na qual a passagem das horas era medida pelo matar da fome, da sede e do sono e por insistentes apelos dos tios e tias para tomarmos pelo menos um banho por dia.

Relógio de criança é diferente.

Hoje, se eu fosse uma maçã, me dividiria em pedaços iguais:

1/3 para meu trabalho 

1/3 para ser mãe 
1/3 para me apaixonar 
1/3 para conhecer o mundo
Outro pedaço para ler, outro para fazer nada, outro para aprender a desenhar, outro para dançar, outro para minha aula de canto, outro para comprar um vestido novo, outro para sair com os amigos, uma lista sem fim.

Sinto que não sobrou maçã e ainda tenho um bocado de aventuras a serem vividas.

Complicando ainda mais esta equação, há dias em que quero ser inteirinha uma maçã moleca, pronta para vadiar, em outros me dá uma vontade danada de reunir amigos. Há dias de querer estar só e divagar com meus mil pensamentos.

Em todos os dias sou uma alma fracionada. Deliciosamente imprevisível, atrapalhada com tantos afazeres e possibilidades, derrotada pela percepção de   viver imersa em uma ampulheta de areia, transgressora com apetite de virar à mesa e fazer tudo diferente. Feliz com algumas rotinas, como gato vira-lata que sempre volta ao aconchego do lar.


Saudades do café de minha vó.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

À margem do rio

Certa vez em viagem com amigos, daquelas que você guarda para sempre as imagens nos olhos da alma, conheci Rita. Uma paraense para lá de especial. Mulher madura, criava os filhos sozinha, após um casamento que não era para ser. 


Menina de sorriso largo que só quem já venceu muitos obstáculos nesta vida sabe que não vale a pena ficar triste por mais do que alguns instantes. O suficiente para lubrificar a visão e traçar nova rota de existência.


Estávamos todos reunidos na beirada de um deck em uma pequena praia no litoral de Paraty. Era noite e a conversa girava em torno de amores desfeitos, realizações da vida e, certamente, do encantamento de estarmos em um lugar tão mágico, com estrelas em nossas cabeças e o mar aos nossos pés. Além da nossa voz, apenas o burburinho gostoso do oceano.


“Na sua cidade tem rio?”, alguém me perguntou. “Sim, tem um rio que corta toda a cidade”. Passaram-se alguns instantes para Rita, acredito, tentar formar em sua cabeça a geografia de um rio cortando uma cidade. 


Após um breve silêncio, ela me disse: “Desculpe eu perguntar, mas o rio que você fala, de um lado você consegue enxergar a margem do outro lado? ” Sim, claro que sim ”, respondi. “Então, você não conhece um rio. Rio, na minha terra, é aquele que você pode levar até dias para alcançar a outra margem”.


Rita falou com conhecimento de causa. Não era uma empáfia, era a verdade. O parâmetro de rio para ela era a de uma água sem fim.


Foi a minha vez de ficar criando imagens de um rio sem margem. Deveria ser grande, deveria ser sublime, deveria ser sagrado.


Em instantes o rio da minha cidade ficou pequeno, bem pequeno. É um rio poluído, é claro. E pensei no dia em que chegarei a ouvir a pergunta: " Na sua cidade tem água?"


Todas as fotos publicadas na National Geografic de crianças africanas que levam uma vida sub-humana pela falta de água me vieram à cabeça, bem como me saltou à lembrança a trajetória dos personagens de Vidas Secas, de Graciliano Ramos. Baleia era o nome da cachorra da família de retirantes no sertão nordestino. Aos filhos, nem certidão, nem nomes, apenas filho mais velho e filho mais novo. Ironias de poeta para retratar um mundo de desesperança.




E depois de toda aquela secura, choveu em mim. Todas as chuvas de verão que eu havia saboreado em minha vida, todos os banhos de rio com margens, todos os mergulhos no mar.


Chorei toda aquela noite e decidi chorar por todo um ano para que nascessem na África e em terras brasileiras, começando bem no norte de Minas, rios caudalosos.



Faria, então, um imenso barco de papel jornal, estampado com notícias sobre políticas e corrupções, e navegaria com os filhos mais novos e os filhos mais velhos deste planeta azul, em busca de uma margem do outro lado, que nunca se alcançasse, visto a largura de nossas esperanças.


Este texto é minha contribuição para o Blog Action Day 2010 cujo tema deste ano é a água.