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| Paul Klee - The Rose Garden |
A primeira vez que vi um caleidoscópio tive a plena sensação de ter encontrado o sentido da vida.
Aquelas belas figuras ofereciam para mim a promessa de mudanças sem fim. A cada quadro, uma nova e surpreendente cena tomava cor e forma.
Demorou algum tempo para que eu percebesse que a roda da vida gira e se repete. Mas o encontro na mesma rua nunca será o mesmo.
O belo estranho me fascina. Sou como um gato vadio que necessita correr pela cidade por entre ruelas e serenatas.
Mas, ainda que me perca em labirintos, retorno ao território conhecido.
A cada pessoa que conheço renasce em mim as esperanças pela humanidade.
Todos são belos, todos. Com seus contornos definidos em prismas de almas facetadas que prometem, sempre, novas revelações para quem tem olhos de ver e dedos para sentir.
Gosto de passear por este caleidoscópio de pessoas e paisagens. Em cada caminho, tento semear um pouco de mim e levar um pouco e tudo. No entanto, costumo pagar pelo excesso de bagagem.
Pouco me importar, desde que possa mirar e aprender com o novo e renascer possuída de um novo encantamento.
Em minhas estradas, por vezes brotam rosas perfumadas e repletas de espinhos. São provas da minha existência. Nem santa, nem de toda pecadora. Nem certa, nem errada, apenas errante.