Mas tenho que dizer. De tanta chuva, estou de alma renovada.
Há muitos anos passei por um momento profissional difícil.
Era aquele tempo em que estamos no começo de carreira e precisamos provar a todo instante a nossa capacidade.
Nesta época, falava sempre para mim mesma: o mundo gira e a lusitana roda. Este era o meu mantra de todos os dias e de todas as horas.
Não sei bem o significado dessa expressão, mas soa como dizer, tudo muda, tudo passa. E passou.
Estes dois últimos anos também têm sido de muita indefinição no meu cotidiano.
Tanto que, não tendo muito por onde extravasar, vim parar aqui na blogosfera.
Escrever, então, era como se eu abrisse uma janela no 15º andar de um prédio e gritasse para todo mundo minhas angústias e dissabores.
E veio o período das chuvas e com ele a renovação dos meus caminhos e desejos.
De repente, vários sonhos guardados na gaveta começam a ganhar força e todo o universo conspirar a meu favor.
Ainda existem muitas angústias sem respostas, mas algumas coisas lindas começam a se concretizar.
E eu fico pensando, como somos pessoas de pouca fé. Não, não a fé religiosa, mas a fé no pensamento. Fé no plantar e no colher.
É impressionante como tudo que mentalizamos ganha contorno e sentido. Às vezes não do jeitinho que imaginávamos, mas, de repente, o que pensávamos ser impossível, se realiza.
Esta colheita de vontades demora. Até porque o nosso querer também demora a ser compreendido e por nós mesmos confirmado.
O mundo gira, a lusitana roda. Quando não encontramos mais saída, devíamos sempre pensar assim. Mas quem em pleno olho do furacão pode ser tão sensato?!
E, para falar a verdade, como é bom esse desespero pujante de vida.
É como briga de amor, quando se resolve.
Hoje estou em dias de nuvens brancas e suaves. Dançando e brindando meus dias de trégua.






