"Absinto" é uma bebida destilada feito da erva Artemisia absinthium. Anis, funcho e por vezes outras ervas compõem a bebida. Ela foi criada e utilizada primeiramente como remédio pelo Dr. Pierre Ordinaire, médico francês que vivia em Couvet na Suíça por volta de 1792.É também conhecido popularmente de fada verde em virtude de um suposto efeito alucinógeno. Absinto, o blog, é um espaço para delírios pessoais e coletivos. Absinte-se e boa leitura.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Minha idéia é meu pincel - A festa do boi manhoso

Antônio Poteiro - Bumba-Meu-boi

- Meu boi, meu boi, vamos dançar?
- Dançar na chuva?
- Aí é que é bom.
- Tem muita gente.
- Eu gosto de gente. Gente colorida, alegre.
- Gente sem dente, gente mal vestida.
- Meu boi, meu boi, essa gente, é o nosso povo! Sou eu, sou você.
- Eu não! Eu sou Rei!
- Você, meu querido, é rei deste povo!
- Gosto não. Crianças remelentas ficam ralando a mão em mim
- Mas te enfeitam com flores, brocados de ouro, manto dourado a te cobrir    
   com capricho.
- E esses jacarés, o que fazem na minha festa?
- São seus guardiões, meu Rei!
- Tem violeiro?
- Um montão.
- Então eu vou. Só porque gosto de música.


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Este quadro me deu imenso prazer em descrevê-lo. Salve mestre Poteiro! A mistura de costumes da tradição oral vindas das terras lusitanas, unidas à realidade brasileira de negros e índios, nos deixa como herança este colorido. Um retrato da nossa cultura formada de tantos povos, traduzida nas ruas de tantas cidades. Minha ideia é meu pincel. Quer participar? Vá ao blog da Glorinha de Lion e entre nesta brincadeira!

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Minha idéia é meu pincel - Frida Kahlo

Frida Kalo - Auto-retrato

Este é meu retrato. Homem e mulher.

Personagem andrógeno, um enigma.

Mas, não. Não perca tempo tentando me desvendar.


Entre as matas intransponíveis deste meu antigo México, também sou eu indecifrável.

Sou muitas, sou muitos, sou mito transgressor.

Mergulho em uma realidade fantástica.


Para os outros.


Para mim, tudo o que me cerca é passível da mais pura verdade.

Em perfeita harmonia declaro amor eterno à irreverência.

A normalidade do meu ser é não ter parâmetros que me reduza.

Adoro meu mundo caótico e pragmaticamente imprevisível.

Dentro do meu universo inventado, tudo percorre na mais perfeita desordem.

Auto-retrato.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Infinitudes

Evoco o dicionário em nome da sonoridade que algumas palavras me provocam

Gozo, sorver, parideira, alumiar, cortesã, febre terçã, afago,chamego,fagueira 
provar, gotejar, orvalho, botica, patuá, à lenha, riacho, tacho, caritó, aluada, aroma, manjerona, cromático, bica d´água, pororoca, iguapé, pirilampo, potiguá, pimenteira, incrustado, costados, arrecifes, marola, ventarola, piquenique, argumento, sinfônica, beijo, opaco, conta-gotas, bergamota, laranja-cravo, tangerina, santidade, pecadora, açucarada, apimentada, doce, esguia, pincelada, avoada, amendoeira, corredeira, abricó, pharmácia, tortilha, serena, perdigueira.

É com gosto que permito que saiam de minha mente, um cortejo harmônico, promovem uma corredeira de emoções, evocam sentidos. Um bem-falar, um bem-me-quer. 

O experimento da letra acaricia meus desejos, aquieta o coração. Às vezes penso, teria eu um caminho diferente do que tecer parágrafos para todo o sempre? O ato de escrever me é dolorosamente inerente.

Oratio vultus animi est, "O discurso é o rosto da alma"

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Minha idéia é meu pincel - Mulheres azuis

Edgar Degas Les Danseuses Bleues
Elas eram todas iguais.
Sensualmente iguais
Sensualmente azuis

Corpos esguios
Peles sedosas

Cabelos presos em delicados e irretocáveis coques
Como convêm aos mais belos corpos de baile

Ousadia de olhares
Precisão de movimentos

Desprovidas de vergonhas
Despidas de vontades

Apenas azuis

Perfeitamente intocáveis
Perfeitamente inatingíveis

Como convém a um corpo de baile

Após o espetáculo, a menina que nunca suportou a mesmice do rosa,
Bordou um rosado em seu tule e sai para o mundo

Desfrutando o prazer de ser curva, desengonçada, autenticamente mulher.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Dias de colheita

Minha relação com a água já ficou evidente por aqui.
Mas tenho que dizer. De tanta chuva, estou de alma renovada.

Há muitos anos passei por um momento profissional difícil.
Era aquele tempo em que estamos no começo de carreira e precisamos provar a todo instante a nossa capacidade.

Nesta época, falava sempre para mim mesma: o mundo gira e a lusitana roda. Este era o meu mantra de todos os dias e de todas as horas.

Não sei bem o significado dessa expressão, mas soa como dizer, tudo muda, tudo passa. E passou.

Estes dois últimos anos também têm sido de muita indefinição no meu cotidiano.


Tanto que, não tendo muito por onde extravasar, vim parar aqui na blogosfera.

Escrever, então, era como se eu abrisse uma janela no 15º andar de um prédio e gritasse para todo mundo minhas angústias e dissabores.

E veio o período das chuvas e com ele a renovação dos meus caminhos e desejos.


De repente, vários sonhos guardados na gaveta começam a ganhar força e todo o universo conspirar a meu favor.

Ainda existem muitas angústias sem respostas, mas algumas coisas lindas começam a se concretizar.

E eu fico pensando, como somos pessoas de pouca fé. Não, não a fé religiosa, mas a fé no pensamento. Fé no plantar e no colher.

É impressionante como tudo que mentalizamos ganha contorno e sentido. Às vezes não do jeitinho que imaginávamos, mas, de repente, o que pensávamos ser impossível, se realiza.

Esta colheita de vontades demora. Até porque o nosso querer também demora a ser compreendido e por nós mesmos confirmado.

O mundo gira, a lusitana roda. Quando não encontramos mais saída, devíamos sempre pensar assim. Mas quem em pleno olho do furacão pode ser tão sensato?!

E, para falar a verdade, como é bom esse desespero pujante de vida.
É como briga de amor, quando se resolve.

Hoje estou em dias de nuvens brancas e suaves. Dançando e brindando meus dias de trégua.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Minha idéia é meu pincel - Águas de Contenda

Georgia O'Keefe - The Waterfall 



Quem vê em mim uma pessoa mansa


Digo que sou mansa como as tempestades


Quem vê em mim tranqüilidade


Digo que sou correnteza brava


Engana-se quem em mim pousa os olhos e vê quietude


Nada em mim é constante


O que me instiga é a possibilidade de mudança


Quando ela não chega, eu a invento


Altero percurso e sigo em meus devaneios


Ansiosa


Para depois quedar lânguida nos braços de quem me ama.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Lume-pronto


Mas que bonitas as cores destas lanternas

Exibem na minha frente uma dança enigmática

Luz que aquece sentimentos

Coração chega a palpitar

Tum Tum

Respiração ofegante

Onde estou? Apenas sigo a luz do fogo

O fogo queima

Ui ! 

Queimadinho bom.