Não há palavras para dizer o quanto ando triste esses dias.
Quando menina, a estação mais esperada era a estação das férias, o que para quem mora abaixo da linha do Equador significa o Verão.
Um verão festivo dividido entre praias cariocas e a casa da avó no interior de Minas Gerais.
Também me recordo da chuva. Algumas muito fortes e que causavam mortes.
Mas não me recordo de verões com tantos enterros.
Me recordo de outras campanhas de solidariedade – inúmeras.
E também me lembro - com muito pesar - de descarados desvios de dinheiro, de roupas e de mantimentos promovidos por homens cuja moral é tão curta quanto a memória dos eleitores de nosso país.
Outro dia mesmo ouvi um rapaz dizendo que não compreendia como algumas pessoas se preocupavam em salvar baleias mesmo morando em cidades onde se quer existe um mar.
Quer saber, não dei resposta alguma. Qualquer argumentação me pareceu inútil para conversar com alguém tão raso de compreensão da coletividade.
Mais uma vez a solidariedade humana irá ajudar a reerguer centenas de famílias.
E com tal ambudância de amor e provimentos que milhares deles serão usurpados de seu nobre destino. (Acreditem em mim, alguns comprimidos para dormir fariam toda a diferença nesta cesta-básica.).
Mas isso na verdade não importa. Importante é o ato solidário que salva. O ato de coletividade.
E mais uma vez seguimos à reboque dos acontecimentos.
A chuva, as encostas, os desmatamentos, os asfaltos, os bueiros, as leis permissivas que possibilitam a regularização de construções irregulares, os coeficientes de construção modificados contribuindo para o densamento urbano, o dinheiro.
E depois, apenas as lágrimas. Os mortos. A vida interrompida.
Para ajudar os desabrigados da região serrana no Rio de Janeiro
Para ajudar os desabrigados da região serrana em São Paulo
Fotos: Portal Terra e G1