Quando estou muito triste ou aborrecida, corro ao meu armário e procuro uma roupa vermelha. É a minha maneira de dar a volta por cima, mesmo que apenas na aparência. Não, não quero com isso esconder as minhas lástimas, mas reagir a elas.
Devo dizer que tenho muitas peças vermelhas em meu guarda-roupa.
Também tenho peças azuis, verdes, brancas. As mais neutras guardo para os dias de paz. E como é bom estar de bem comigo mesma a ponto de colocar aquele vestido de algodão, já meio puído, mas que me é tão confortável que chega a me elevar a alma. Dentro dele, posso não atiçar olhares, mas me sinto plenamente serena e segura.
Os vestidos vermelhos, eles são de guerra, reservados aos momentos em que é preciso impor presença, marcar, registrar, fazer-se ser notada, em qualquer circunstância.
Fico pensando nessa atitude inteiramente humana de reação aos estados emocionais de acordo com as cores e suas infinitas possibilidades de matizes.
Azuis para os dias calmos, verdes para os dias alegres, vermelhos para os dias de luta, lilás para os dias frágeis.
Nos dias de êxtase, apenas a cor da pele.












