Escrever me proporciona um profundo prazer. É nas palavras que consigo transmitir muito dos meus sentimentos. Sempre desejei ter o dom de escrever fora as obviedades do ser humano. Mas percebo minhas limitações. Mediocridade. Este é o sentimento que tenho em minha alma. Também me reconheço medíocre na dança e no canto, artes que gostaria muito de dominar mas que não passo da média.
Não tenho nenhum talento para pintura, embora no ano passado tenha iniciado alguns rabiscos em pincel.
Tenho que confessar que sou mediana. E, para não ser uma artista da mediocridade, me restaria o papel de mecenas. No entanto, as poucas moedas que recebo não me permitem financiar mais do que algumas poucas entradas em teatros alternativos e shows de cantores locais – atividade cada vez mais escassa diante da minha condição de mãe de filho pequeno. Neste quesito, espero não ser um arremedo e completar a minha obra.
Ando com o coração apertado. Sem caminhos certos (e quem os têm?).
Mas escrever me faz bem, então, por favor, aturem o meu desabafo. Ou passem batido para páginas mais alegres e felizes.
A tristeza é algo inerente a alma feminina. Vem em fases, como a Lua. Algumas vezes duram mais. No entanto, dizem muito do nosso íntimo e do quanto fomos feridas.
Sinto saudades de horas mais prósperas, dias esperançosos, sem chuva.
Onde dúzias de rosas vermelhas me surpreendiam no portão. Eram outros os carnavais.