"Absinto" é uma bebida destilada feito da erva Artemisia absinthium. Anis, funcho e por vezes outras ervas compõem a bebida. Ela foi criada e utilizada primeiramente como remédio pelo Dr. Pierre Ordinaire, médico francês que vivia em Couvet na Suíça por volta de 1792.É também conhecido popularmente de fada verde em virtude de um suposto efeito alucinógeno. Absinto, o blog, é um espaço para delírios pessoais e coletivos. Absinte-se e boa leitura.

terça-feira, 12 de abril de 2011

Canto do Outono


Acalanto é um som que nos acolhe como colo de mãe. Vem suave, encanta os ouvidos.


Acalanto é um gesto feminino. Enxuga pranto, escuta, se cala.


Acalanto é o céu laranja do outono. A sensação do frio que não se instala, do calor conciso que ainda aquece. E quando o sol se põe, fica um vazio, um medo íntimo de que é hora de se recolher.


Lá fora a tarde cai, já anunciando que é hora de hibernar. Aqueço meu coração com um vermelho intenso. Pensamentos ardem como fogo em madeira boa.

sábado, 9 de abril de 2011

Na esquina do tempo nº 50



Hoje vou falar de G. G de Glorinha de Leão. A força feminina de uma mulher madura, especial, que está vivendo um momento mágico de parir idéias. Acaba de sair do forno o seu livro "Na esquina do tempo nº 50". 
Pelo seus textos que podem ser conferidos no blog Café com Bolo, tenho certeza que esta é uma leitura especial.


Glorinha, gostaria muito mesmo de estar no Rio e te dar um abraço pessoalmente. Fica aqui o meu carinho. Para quem está na cidade maravilhosa, vale conferir e conhecer de perto esta grande escritora. Parabéns, Libélula, segue seu vôo e alegra o nosso coração.


Sinopse por Glorinha de Leão 



Este livro é um pequeno relato de todas as mulheres que cabem em mim, em todas nós.Todas elas sempre conviveram dentro de nosso corpo e de nossa alma, mas só agora, na maturidade, deixamos que aflorem, cada uma com sua força, seus defeitos, seus ensinamentos, suas chatices. Somos todas, partes da mesma natureza feminina, um mundo de hormônios a fervilhar a vida toda, que de repente, param e nos deixam sós conosco mesmas. Mas a ausência deles não nos esvazia, pelo contrário, nos faz enxergar, ou pelo menos deveríamos, como somos belas, plenas e elaboradas.

Nenhuma mulher passa incólume por esse limiar: cabe a cada uma tirar o melhor de si mesma, aprendendo os modos de (se) usar a menopausa e a maturidade.


quarta-feira, 6 de abril de 2011

Deus proteja os meninos e São Francisco proteja meus gatos!


Borrachinhas tiradas da minha bolsa semana passada

Rafael, meu filho de 7 anos, andava sozinho, cabisbaixo. Resolvemos, então arrumar companhia para ele. Um cachorro, disse o pai. Um gato, disse eu. E na briga entre cão e gato, o menino deu o veredicto: Nem um, nem outro. Eu quero é uma tartaruga!


Fomos pesquisar e descobrimos que um jabuti, daqueles grandes, custa uma base de mil reais a licença no IBAMA. Mas o menino queria uma tartaruguinha de água. Essa, custa duzentos e cinquenta. Deixamos a idéia amadurecendo e esquecemos o assunto.


Faz um mês, mais ou menos, que visitamos a casa de amigos que têm três cachorros e três gatos. Todos vivendo muito bem, obrigado. E não é que o menino sentou no chão e foi se engraçar com os felinos?


Vitória da mãe !
Coitada da mãe, eu diria. Meu marido, convencido pela alegria do menino, animou-se e quis arrumar logo duas. Gatas. E eu fui na onda toda feliz. 


Agora ando correndo tomando conta de três filhos! Meu menino tem ataques de Felícia. E as gatas correm o dia todo pela casa. Ah, elas estão muito alegres. Ele também. Eu, nem tanto.


Meu amigo Marco, da Ello Comunicação acabou de publicar no blog da empresa dele um texto sobre Meninos da Eliane Zimmermann e me alertou para o conteúdo.


No texto, a autora fala do famoso bolso de menino que tem de tudo. Aqui em casa não é o bolso. É a minha bolsa que, além de todos os possíveis objetos femininos, abriga fios de plástico, espiral de caderno, papel picado e uma coleção de lacres de latinhas de refrigerante e cerveja. Vai tudo parar na minha bolsa e fica meses sendo carregado. 


E aí de mim quando jogo algo fora. É justo o que ele me lembra de pedir. Como aquela última borrachinha arrebentada de segurar dinheiro e o papel amassado que ele ganhou do homem do estacionamento.


Meu amigo me ajudou neste último. Acaba de me dar uma idéia salvadora para a mãe desalmada: "Diz que guardou com carinho no seu trabalho para se lembrar dele".


Bom, um dia ele vai ler este post. Aí eu vou ter que pagar o analista para ele. Até lá, quem paga o meu?

quarta-feira, 30 de março de 2011

A vida que pulsa

Hoje acordei com saudades da Biodança


Quando estamos certos de que tudo está perfeito vem àquela onda não sei de onde e vira o mundo. E de repente o que se torna urgente é sobreviver.
        
Ao me abrir para o universo, deixo adormecer as minhas defesas. Abraço causas, amores, projetos, para depois, indubitavelmente, cair em uma profunda exaustão de sentimentos.


Acabo por achar que doei mais do que podia, mais do que o outro/a causa merecia.


Volto para a caverna. Fecho-me em copas para repensar atitudes, chorar as perdas, lamentar as mágoas cultivadas por exigir do outro o mesmo desprendimento a que me propus. 


Até que tudo muda e me sinto forte para novamente amar.


É o ciclo da vida, é o nosso ciclo interior. Expandir, interagir, tocar o outro, ser tocado, tocar-se, dizer adeus e seguir sozinho com nossa própria experiência.


Do poder que sentimos quando nos envolvemos apaixonadamente por idéias e pessoas, resta-nos um imenso vazio. Em um instante vamos da sensação de poder infinito a mais profunda impotência.


O poder afoito é efêmero. Mas necessário. É do homem saber se perder e voltar ao eixo, para novamente se perder e se encontrar.


Entrego o meu empoderamento ao meu deus interior para que no meu silêncio possa recobrar minhas forças e novamente oferecer minha existência.

domingo, 27 de março de 2011

A compra, o descarte e o valor afetivo pelo fazer



Sapatinhos Escola Paineira - Foto Malu Machado
Continuando o tema da blogagem anterior que pode ser lida aqui, queria compartilhar com vocês uma experiência que estou tendo na escola onde meu filho estuda. É uma escola que segue a pedagogia Waldorf e desenvolve o conhecimento através da prática, o que nos impulsiona a vivências o tempo todo.


Por isso, não é incomum que os pais desses alunos se reúnam com freqüência nos fins de semana ou após às sete da noite para confeccionarem velas, tricotar, fazer uma bolsa ou simplesmente falar sobre educação.

E de repente eu me vi a aprender a costurar a mão um presépio em feltro com enchimento de lãs de carneiro. E há dois anos bordei o primeiro colete para Festa Junina do meu filho.


Trabalhos Manuais Escola Paineira
E enquanto costuro para ele, vejo a todo o momento como ele se orgulha deste ato. A relação dele com objeto confeccionado em todas as etapas dentro de casa tem um componente que não está à venda nas lojas de shopping. Tem afeto. Tem amor.


Eis que meu filho atende ao telefone e alguém do outro lado provavelmente pergunta: Onde está a sua mãe? E ele responde: está costurando o meu colete. Nossa, que felicidade no brilho de seu olhar. E como enquanto costuramos, ou fazemos um arco e flecha de bambu, ele acompanha atento, sereno, compreendendo, dentro da sua capacidade limitada à idade de sete anos, a importância daquele ato.




Neste fim de semana meu marido fez agulhas de tricô esculpidas de um bambu gigante. A atividade com o tricô é muito valorizada nas escolas Waldorf para desenvolver a coordenação motora fina, principalmente na alfabetização.


Duende em tricô presente professora Aline
Agulhas de bambu by Paulo e Malu
Eu tenho pelo menos três agulhas de tricô em casa. Uma de madeira e duas de plástico. Poderia ter ido a uma loja e comprado tamanho e cor desejados. Mas não é esse o exercício da prática. Estas agulhas serão eternas em nossas lembranças.


Com também serão eternos os bolos e biscoitos que fazemos juntos, as brincadeiras com argila e as pinturas em aquarela. 




Um fim de semana aqui em casa não tem televisão ligada. Por vezes cantarolamos ou ouvimos uma boa música. Ou optamos por ouvir apenas os pássaros no quintal e o miado de nossos gatos.


Enquanto escrevo, tenho no braço esquerdo uma pintura de um sol e um trevo de quatro folhas feitos pelo meu filho com lápis aquarela. A cada descoberta, percebo o quanto a vida pode ser simples, cheia de significados e tão pouco consumista.


Abaixo coloco uma excelente carta que recebi por e-mail da minha amiga Kátia Dias, do blog Simples, Sim! 


Foto Casa de Pau a Pique Escola Paineira /
alunos do 3º ano 2008 - Foto Malu Machado
Ilustro a carta com a foto de uma casinha de pau a pique confeccionado pelos alunos do 3º ano - Escola Paineira. Preciso falar mais sobre a diferença de visão de mundo?


Querida Arezzo,

Eu sempre fui uma boa cliente para você. Apesar das vendedoras
esnobes, dos preços absurdos e das campanhas publicitárias cafonas, eu sabia que valia a pena comprar os seus sapatinhos.

Ao longo de todos esses anos, foram pelo menos umas 20 sapatilhas, mais scarpins e sandálias e até uma rasteirinha – a única que eu tenho, imagine, logo eu que não uso rasteirinha! Tudo bem, eu sei que não é muito e que tem gente que compra bem mais que eu, mas eu sou uma jornalista pobrinha; se levar em consideração a despesa em relação ao salário, olha, eu fui muito legal com você.

Aí um dia, eu comprei aquele scarpin de “couro” (cof, cof) preto.
Salto alto. Plataforma. Eu fico com mais de 1,80m com ele, Arezzo! Tão bonito, tã confortável. Como (quase) tudo que você faz.
Justamente por ele me deixar tão alta, usei pouco; guardei essa
preciosidade de R$ 270,00 para ocasiões especiais – principalmente
quando elas envolviam também o uso do meu vestidinho lindo da Saad.

Comprei o pequenino há dois anos. Usei cinco vezes, e poderia citar
todas elas aqui. Durante todo esse tempo, ele ficou guardado no
saquinho dele, na caixinha dele. Como muitos outros sapatos lindos que eu tenho, sabe?

Mas tem uma diferença entre os meus sapatos lindos e o seu scarpin. Sabe qual? Eles não se desmancharam. Pois é, Arezzo. Você sai por aí vendendo sapatos que são supostamente de couro (afinal, por esse preço!) e, depois de serem usados cinco vezes, eles desmancham, revelando um tecido vagabundo pintado de tinta texturizada para imitar couro. O sapateiro riu de mim. Riu.

Eu achei que você fosse me explicar isso, que fosse passar a mão na minha cabeça, dizer que pedia desculpas e que isso não aconteceria mais, que foi um erro, mas o que você fez? Me esnobou. “Não nos responsabilizamos por sapatos comprados há mais de três meses.” Como assim, Arezzo? Eu tenho sapatos Topshop, Sommer, tenho até Melissas guardadas há mais tempo do que guardei esse scarpin, e sapatos usados muito mais vezes que esse scarpin e que não se desmancharam!

É por isso, Arezzo, que eu quero que você vá se danar.
Sabe o que eu fiz hoje? Eu comprei um scarpin seu. No Paraguai. Por R$40,00. Ok deve ter algum pequeno defeito, mas se é pra se desmanchar mesmo, né? Que seja a preço de pano pintado.
Se é como lixo que você vai me tratar, então é assim que vai
funcionar. E prepare-se, porque eu vou espalhar essa história e ainda contar para todas as pessoas que eu conheço que tem Arezzo no Paraguai a preço de Moleca. Aliás, nem a minha Moleca se desmanchou como a porcaria do seu scarpin.

Então, é isso. Passe bem com as suas vendedoras esnobes, suas
sapatrocidades cor de caneta marca-texto e seus sapatos de pano
mentirosos. A mim, você não engana mais.
Atenciosamente,

Fabiane  Ariello
Foz do Iguaçu, PR, Brazil
Jornalista, tradutora, revisora e escritora.

domingo, 20 de março de 2011

Obsolência Programada.Vamos remexer nossas gavetas mentais?


Não Existe um mundo Ecológico, mas um mundo de Negócios


Sábado pela manhã evito sair às ruas de minha cidade. A visão é de um formigueiro humano onde os empregados das lojas tentam nos empurrar todo o tipo de lixo da qual de fato não necessitamos.


Quando vejo tantas lojas de lingeries, não consigo evitar o pensamento: para que tanta calcinha no mundo ! E tantos enfeites de cabelo para as meninas, tantas marcas de batom, como se fosse possível uma matisse de cores tão diversa que não sobrecaia no mal gosto. E nem estou falando de esmaltes!


Os homens não ficam ilesos. São tantas marcas de lâminas para barbear, gravatas, novas máquinas maravilhosas para cortar a grama.


Poderia ficar aqui fazendo uma lista interminável de objetos inúteis que serão considerados obsoletos pelo consumidor em menos de seis meses. Isto inclui uma simples roupa a um automóvel recém lançado cujo o fabricante faz uma campanha de recall porque "alguma peça precisa ser trocada".


As pessoas, com raras exceções compram. Porque é esta a palavra de ordem, de status, de poder. 


Consumo, logo existo. E daí não é preciso muito esforço para entender porque realities shows fazem tanto sucesso e porque livrarias andam tão vazias.


O lixo que geramos é de uma irresponsabilidade sem procedências. Para onde vamos? Bom, além do excelente documentário exibido na TV espanhola, sugiro que assistam ao filme infantil WALL –E. Depois disso, acho que cada um pode tirar as suas próprias conclusões de para onde o planeta caminha e qual é a responsabilidade que nos cabe.


"Aprendi a não tentar convencer ninguém. O trabalho de convencer é uma falta de respeito, é uma tentativa de colonização do outro." José Saramago

quinta-feira, 17 de março de 2011

Desiderata


La Valse - Camille Clodell
alma alheia
Não se assemelha
À minha alma
Nem complementa
Mas é com gosto
Aconchegar-se neste corpo
Diferente,
Quente,
Até que o amanhã nos acorde do sonho
E desperte as almas
Distintas
Diversas
E para todo o sempre
Separadas.