Foram tantos. Não posso esquecer da Turma da Mônica que ainda hoje gosto de ler e ver com o meu filho, do Sítio do Picapau Amarelo, que quando foi lançado o DVD da primeira versão da TV Globo rendeu lágrimas a mim e minha cunhada por um tempo bom que já se foi.
Daniel Azulai! Algodão doce pra você! Vila Césamo, passeio na Feira da Providência no Rio de Janeiro procurando o gigante Garibaldo, Fantasminha Pluft e, minha primeira leitura infanto juvenil, Peter Pan.
Ainda há espaço para relembrar do bisavô dos Power Rangers, o Ultraman e do desenho animado Carangos e Motocas (Wheelie and the chopper bunch), onde o personagem mais marcante era a lambretinha que infernizava seu líder com o jargão: “Eu te disse, não te disse?” E como o mundo parava para eu assistir a corrida espetacular com Speed Race.
Mas a minha primeira lembrança ao desafio laçado pelo Lufe foi para o inesquecível Capitão Asa. Era mágico vê-lo na TV Tupi. Era como se fosse possível tocar as estrelas. Era real a promessa de um mundo de paz.
Estranho dizer isso de um personagem criado em plena ditadura militar cuja interpretação era feita por um policial civil da época? Sim, é, no mínimo, curioso.
O Capitão veio a falecer em 3 de Maio de 2003, com 75 anos, vítima de seu terceiro enfarte.
Eu corria para frente da TV, ainda em preto e branco, para ouvir a chamada do programa e fica imaginando que seria possível viajar além do planeta azul. Este homem com óculos que mais pareciam olhos de uma enorme mosca foi um dos que me fez acreditar em sonhos.
Rudolf Steiner diz que na primeira e na segunda infância a mensagem que deve ser resguardada às crianças é de que o Mundo é Bom e de que o Mundo é Belo. Se alguma coisa deve ser sagrada neste mundo, é a inocência infantil. Pois elas, as crianças, terão todo o resto da existência para árduas jornadas.
Agradeço aqui a todos que fizeram da minha infância um mundo cheio de imaginação. Se sou hoje uma pessoa otimista, forte o bastante para dar a volta por cima quando a vida nos dá aquela rasteira inevitável, devo aos heróis da minha infância. Pais, tios, primos, vizinhos e os encantados personagens da televisão e dos livros.
Hoje vou vestir meu macacão de astronauta, entrar em minha nave espacial, chegar rasgando o céu de Belo Horizonte e aterrizar no Buteco do Lufe. Lá vou tirar meu capacete e pedir uma dose de Absinto.
Parabéns, Lufe, e obrigada por me permitir este doce resgate da minha memória.
Querido Wilson Vianna, alô, alô, onde você estiver, por este espaço sideral, receba um abraço de sua eterna fã.





