Na minha terra há um ditado assim:
Formiga, quando quer se perder, cria asas.
Eu vivo em total processo de enformigamento alante.
Tenho forte na minha mente o dia mais feliz da minha vida.
Não, não me joguem pedras, mas não foi o dia em que meu filho nasceu.
Este foi um dia muito especial, mas não é desta alegria que me recordo agora.
Também não foram os dias de amores correspondidos.
A minha lembrança de um dia de felicidade plena está registrada nos meus 7 anos, em uma fazenda perto do Alto Paranaíba, Minas Gerais.
Foi um dia de pés descalços, vestido comprido e banho de rio.
Foi a primeira vez que andei a cavalo e descobri que o mundo era bem maior do que o pequeno apartamento de dois quartos que eu morava no bairro da Tijuca, Rio de Janeiro.
Talvez por isso eu entenda perfeitamente o olhar perdido do meu filho sob o mar da Ilha Grande, quando, aos quatro anos de idade, ele me disse: “Eu, mamãe, papai, a gente não sabe é nada”.
Não desdenhem o filosofar de uma criança. A mente dela está aberta a receber e perceber bem mais do que pensamos em estar dizendo para elas.
Por isso, naquele dia de verão eu comi milho assado na fogueira e me senti cigana.Queria ganhar mundo, mata, queria viajar e conhecer e me afogar de conhecimentos.
A alma itinerante faz bem ao meu corpo.
Ando cabisbaixa cumprindo rotinas de vida adulta. Mas o tempo da viagem está chegando
Em breve partirei para novas aventuras. Quem sabe me encontrar com aquela menininha de plena felicidade diante de um mundo a ser revelado?
Nesses dias em que estive adoentada, uma amiga me falou, porque você não escreve da necessidade do corpo parar para descansar. Na verdade, meu corpo não necessita de descanso, necessita de aventura em terras mais quentes do que a que estou agora. O sol sempre me anima e me movimenta.
Talvez ela esteja certa. O corpo reclama para que eu mude o curso e ouse novas trajetórias.
Já estou fazendo as malas. Poucas coisas. Um caderno de memórias, um par de sandálias e um coração pulsando pela vida.





