"Absinto" é uma bebida destilada feito da erva Artemisia absinthium. Anis, funcho e por vezes outras ervas compõem a bebida. Ela foi criada e utilizada primeiramente como remédio pelo Dr. Pierre Ordinaire, médico francês que vivia em Couvet na Suíça por volta de 1792.É também conhecido popularmente de fada verde em virtude de um suposto efeito alucinógeno. Absinto, o blog, é um espaço para delírios pessoais e coletivos. Absinte-se e boa leitura.

domingo, 20 de novembro de 2011

Tá tudo certo. Ou não?



Cansada estou, esgotada.

As forças anímicas parecem sair do meu corpo. Ontem tive uma dor de estômago maluca. Ou melhor, deve ter sido uma dor enviada pelos anjos para que eu ficasse de repouso e desse uma trégua a correria. 

A fadiga não tem haver com cansaço físico, mas mental. O que me faz ficar sem vontade de sentar e compartilhar qualquer escrito neste diário virtual de pensamentos. Mas sinto falta. Sinto falta deste exercício. Sinto falta de conversar sobre assuntos que me caem nas mãos inesperadamente.

Mas hoje, hoje apenas deixo um olá, um estou por aqui, ainda, curtindo este frio e engolindo sapos que não posso desabafar. Por hora. E talvez nunca me permita.

Os salmões lutam tanto para nadar contra a correnteza e se reproduzirem e a maioria morre nesta tentativa. Não por cansaço, mas pela quantidade de cortisol que produzem em seu corpo para vencer a situação de stress.

Não quero morrer de cortisol. (Mais nobre seria me embebedar de absinto). Se a chuva parar, vou fazer uma caminhada até à Lua. Talvez chegue até Marte, deus da guerra. Ando precisando recrutar alguns soldados para dizer umas verdades por aí.



quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Dia das crianças, dia de brincar



Embora meus pais nunca tivessem ouvido falar de pedagogia Waldorf, orientação na qual hoje educo o meu filho, posso dizer que tive um primeiro setênio belo. Como não havia muitos recursos para brinquedos caros, o jeito era lançar mão do que estava por perto e de exercitar a imaginação.

Mesmo crescendo em um bairro relativamente grande do Rio de Janeiro, costumava brincar no chão da cozinha da nossa casa com boizinhos de chuchu, bonecas de pano e com várias sobras de tecido que ganhavam mil formas nas histórias que inventava.

Em minha infância fui limitada no colecionar de álbuns de figurinhas (que eram bem caras para o orçamento da minha família), e de sonhos de consumo como o Atari, o patins e muitos outros que se quer recordo. Meus pais ou não tiveram recursos ou simplesmente não acreditavam que ali estaria algum tipo de felicidade que efetivamente fosse essencial para minha formação.

Aprendi a conviver com essa negação. E, acredito, esse limite do que se pode ter e do que realmente é essencial, foi sendo forjado dentro de mim pelos exemplos que tive. Hoje, das lembranças que guardo de minha infância, não povoam brinquedos que tive ou os que não tive, mas as aventuras e descobertas que vivenciei neste período, como a primeira vez que tomei banho de cachoeira nas férias no interior de Minas, os banhos de chuvas e a cumplicidade dos primos e dos amigos.



Um dos brinquedos mais queridos de minha infância foi um buraco. Um enorme buraco aberto por seis mãos no quintal de minha avó. A finalidade era apenas abrir um túnel onde pudéssemos encontrar mãos e pés. A conquista deste objetivo foi comemorada em alto estilo com suco de uva e pão de queijo.



Recordo-me que em uma noite de forte chuva faltou energia na nossa casa e não tive que disputar meus pais com as novelas ou telejornais.  Por cerca de uma hora e meia, brincamos de sombras nas paredes à luz de velas. Cheguei a pedir que faltasse luz todos os dias para que aquele momento se perpetuasse.

Hoje, como mãe, dou ao meu filho mais do que tive em minha infância, mas tento não cometer exageros. Isso acaba me gerando alguns conflitos internos, é claro, pois sempre achamos que poderíamos dar mais. Mais afeto, mais brinquedos, mais tempo juntos.


Neste Dia das Crianças, meu filho não recebeu nenhum presente material. Já havíamos dado há alguns meses um brinquedo que ele queria muito. Ele sabia que este seria o seu presente e não teria outro nesta data. Passamos o dia juntos, passeando e brincando. E percebi que não fez a menor falta para ele receber ou não um novo brinquedo neste dia.

Preocupada com o legado que estou deixando para meu filho, neste Dia das Crianças, perguntei a ele: “Quando você pensa na mamãe, o que te vem à cabeça?” Ele me respondeu: “Carinho”. Bom, eu não poderia ter recebido presente melhor.



domingo, 2 de outubro de 2011

Bienal, até 2013


Bienal é um evento que se repete de dois em dois. Isto é o que nós organizadores esperamos.  E pelo sucesso da primeira Bienal de Arquitetura da Zona da Mata e Vertentes, acredito que este é um evento que veio par ficar.


Organizar um acontecimento deste porte, em uma cidade de tamanho médio, com poucos patrocinadores e contando com muita mão de obra voluntária (o que significa muitas vezes não poder contar com ninguém) é, sim, um desafio. Mas o desafio seria o mesmo se tivéssemos muito mais almas abnegadas do que as que pudemos contar e muito mais saldo na conta bancária. A questão maior é ter sido a primeira. Tem aquele gostinho de desbravamento que ninguém nos tira. E tem também aquele bater de cabeças de não saber bem o resultado que vamos conseguir alcançar.


Foram dez dias delexposições, mostras e palestras ocupando o maior espaço de cultura da nossa cidade, o Centro Cultural Bernardo Mascarenhas. No final, o saldo foi positivo. Posso afirmar, atrevidamente, que todos os que foram gostaram muito do que viram.


Esta primeira edição teve como tema central uma homenagem a Arthur Arcuri e Luzimar Telles, arquitetos modernistas de Juiz de Fora e de Cataguases, respectivamente. E contou com obras de um contemporâneo de peso - uma sala com desenhos e croquis de Oscar Niemeyer, feitos pelo grande arquiteto brasileiro para uma apresentação no George Pompidou no ano do Brasil na França, em 2005.


Foram 45 projetos profissionais inscritos para concorrer na primeira Bienal regional que se tem história no Brasil. A premiação garantiu aos cinco agraciados a participação na grande Bienal Internacional de Arquitetura de São Paulo, que vai acontecer em novembro próximo.


A regra para os trabalhos acadêmicos era de cinco projetos selecionados em casa uma das três instituições da região aptas a participar. O primeiro lugar ficou com a solução arquitetônica encontrada para um abrigo de moradores de rua.  Contribuição social da arquitetura para um mundo melhor? Acho que esse deveria ser o viés dessa e de todas as demais profissões. E, como disse o arquiteto Sylvio Podestá,  na palestra de abertura do evento: “o primeiro cliente do arquiteto é a cidade”.


Para fechar a programação, contamos com o trabalho de dois artistas plásticos da cidade: Ramon Brandão, com sua Cidade de Papel, perfeição em cada detalhe nas maquetes de casarios e prédios históricos de Juiz de Fora, e de Filipe Matias, que preparou uma instalação interativa, onde o eixo do cenário foi mudado e os visitantes podiam ser fotografados no local.


Girando as fotos, quem fica fora de “lugar” é você. Além de divertido, uma boa reflexão sobre o que é certo e o que é errado? Onde estamos e onde não poderíamos de fato estar? Existem limites para a ousadia? Entre o grupo responsável pela Bienal, não houve. Pensamos e acreditamos num sonho e sua concretização nos aponta para outras edições ainda mais promissoras.


Vida longa à Bienal da Zona da Mata e Vertentes. Deixo vocês com o vídeo do evento e, é claro, estou de volta à vida de blogueira, visitando os amigos e pondo leitura em dia. 


A todos, um brinde de Absinto!



segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Bienal de Arquitetura Delírio e Realidade


Dudu Lima e cia. Coisas da terrinha.
Absinto é bebida forte, mas não se pode verte impunemente.Toma tento menino, que isso é coisa de gente grande. Só adultos deliram? Não, o delírio é universal. A questão é o quanto somos capazes de delirar e voltar para a realidade. Bom acho melhor mudar o discurso, a imaginação infantil será sempre mais fértil.


Mas o que me traz aqui hoje é um delírio coletivo. Em Juiz de Fora, um grupo de delirantes arquitetos planejam invadir a cidade com a I Bienal de Arquitetura da Zona da Mata e Vertentes. O evento tem dia e hora para começar e, se tudo der certo, vai deixar muita coisa boa por aqui e por todo o país. 


Até lá, prometo estar ausente, para poder extravasar em outras companhias.





quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Polianices


internet mapping 

O grande escritor James Joyce escreveu um livro muito interessante chamado Dublinenses, onde ele retrata a vida social em sua cidade natal. O livro de Joyce foi feito em uma época em que as diferentes artes buscavam questionar o comportamento social moldado nas aparências. Podemos citar muitas outras obras que perseguiram este mesmo tema, como todos os filmes de Buñel, por exemplo.

Refletindo sobre alguns acontecimentos recentes na minha vida, fiquei pensando na literatura atual. Hoje questionamos a nós mesmos. Não temos mais medo de nos expormos ao ridículo. Como diria Drumond, virou moda ser gauche na vida. E nos tempos de reality show, quanto mais expostos, melhor.

Seja no twitter ou no facebook ou em qualquer outra mídia social, o bacana agora é, a qualquer momento, deixar um recado aos “amigos”: Ei, eu estou vivo, estou por aqui e hoje me aconteceu isso e aquilo.

E todos querem ser engraçadinhos e arrancar um curtir ou um compartilhar, um “retuitar”. Ou seja, queremos saber que fomos lidos e repassados à diante.

Repassados à diante. Talvez para a eternidade. Um amigo meu faleceu no ano passado e os comentários dele no FB continuam vivos por aí de micro em micro. É, sem dúvida nenhuma a relação espaço/tempo nunca mais será a mesma.

Falar no FB é como passear por uma rua movimentada de nossa cidade, ou ir aquele point da moda em que com certeza você vai encontrar pessoas conhecidas. E, como na vida real não virtual, há os que falam mais, os que falam menos e os que apenas observam.

O mundo “retuitado” mudou. E, com ele, as relações de amizades e de trabalho. Pessoas que nem poderiam sonhar que eu mantenho este blog são avisados da sua existência via meu FB. Podem nunca entrar aqui, podem vir, ler uma vez e também não voltarem. Mas com certeza têm a chance de saber mais sobre mim do que em um contato não virtual.

Eu posso colocar meus filtros e deixar passar somente o que gostaria que vissem em mim (será?), mas o fato é que esta exposição me torna mais humana e mais igual, nem que seja no imaginário de quem me lê.

Podemos ser apenas um jogo de palavras bonitas (mesmo quando estamos tecendo comentários raivosos). Podemos estar jogando o jogo do contente, pintando um mundo cor de rosa. Mas, então, não estamos muito diferentes da sociedade retratada por Joyce em Dublin. Embora com uma roupagem internáutica, ainda arrastamos nossas longas saias pelos bondes e curvamos nossos chapéus aos poderosos.

Quebrar a casca do ovo, modificar nossa maneira de agir e de interagir com o outro, são desafios constantes para a humanidade. Talvez por tocar profundamente na ferida, Dublinenses levou tanto tempo para ser aceito por uma editora e ainda mais tempo para ser aceito por seus leitores. Talvez por isso Joyce continue tão atual.

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Divagando



Algumas lembranças de minha vida saltam-me à alma como se fossem fatos ocorridos agora a pouco. No instante em que atravesso a rua do meu pensar encontro ali rostos, gestos, frases, lágrimas e sorrisos. 


O que a memória não dá conta, a mente se encarrega de preencher com a imaginação. Aquela vontade do que deveria ter sido e nunca foi. Ou foi, mas a lembrança me trai. Que seja.


E sigo neste labirinto tecendo meu caminhar. As memórias são muitas, um campo de batalhas constante. A memória é uma ligação afetiva com o passado e fenômeno de reconhecimento de identidade. 


Em meio a um mundo cada vez mais efêmero, é bom cultivar raízes.


E com o meu olhar anda atento para reconhecer tantos cenários. De repente, não sei o porque, o colorido das coisas parece saltar-me aos olhos. As flores ganham um vermelho intenso, próprio do inverno nesta época do ano. A terra com seu ocre forte. 


Vejo graça em folhas secas e me recordo de pisá-las em tantas estradas. E em cada uma delas há pessoas que deixaram suas marcas.


Um dia ouvi de um amigo que o pássaro só cumpre seu destino quando alça vôo. Da janela do meu quarto vejo muitos pássaros. Uns retornam, outros nunca mais. A lembrança, esta, continua, eternizada.


Foi assim que aconteceu certa manhã. Havia tempo que não nos falávamos. Mas em um dia triste acordei com uma mensagem no meu celular. Uma mensagem que provavelmente fora enviada a outras pessoas também. Mas que em suas entrelinhas dizia: ei, eu estou longe dos seus olhos, mas estou por aí e você ocupa a minha lembrança. 


Fiquei feliz o resto do dia. O resto da semana. É bom saber que lá fora há pássaros de todas as formas e de todos os encantos que me reconhecem e que, pelo menos alguns, me guardam com carinho em suas memórias.

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Fora da rede é lixo


Wall e. Filme para crianças?

Há alguns meses fiz um post sobre o tema Obsolência Programada e agora me vejo novamente às voltas com o tema. Fiquei fora da rede por quatro dias por conta de um roteador que, com três anos de uso, enfim, faleceu. Durou muito, me disse o técnico. Como assim, durou muito? No tempo do meu pai, as coisas eram feitas para serem herdadas. Há amiga, você está obsoleta, out, completamente por fora! 


O lance agora é mudar a cor, o formato, o tamanho. E o tempo de testes de novos aparelhos nas fábricas não ultrapassa os três meses. Olha o número três aí novamente! Seria algo cármico? Não é chute não. Um amigo que atua nesta área me disse isso após visitar uma grande indústria do ramo tecnológico. 


Mais do que uma sociedade de consumo, nos tornamos a sociedade do descarte. Neste exato momento tenho em minha casa, dados como inoperantes e irrecuperáveis, um aquecedor a gás (10 anos), uma bomba de banheira (2 anos), um aparelho de som (idade de uso estimada em 17 anos), um aparelho de vídeo cassete (16 anos) e um roteador para internet (3 anos). Sem falar de um velho micro que resiste, mas já demonstra sinais de falência múltipla dos órgãos.


Os diagnósticos são os clássicos: “Pelo preço do reparo, você compra um novo”. “Não há peça de reposição”.


Se a minha cidade tivesse mar, poderia descartar todos esses equipamentos diretamente para as praias africanas. Talvez faça contato com Vik Muniz, para que ele reutilize as peças em suas obras de arte. Mas acredito que ele já tenha um vasto material à sua disposição.


Resta-me procurar por uma dessas empresas que compram equipamentos usados. Será que vão aceitar minha bomba de banheira? Meu amigo não quis ficar com o meu vídeo cassete. Fechou a oficina que mantinha nas horas de folga. Amante da eletrônica, não resistiu aos tempos dos circuitos fechados e totalmente descartáveis. Não precisa pensar, basta comprar um novo. 


Fazendo uma busca pela internet, descobri um blog muito legal sobre lixo eletrônico. Procurava saber se existia alguma lei que prevê multa para descartes industriais. O site traz uma notícia sobre uma lei em Nova York que multará em US$100,00 quem jogar qualquer tipo de equipamento eletrônico no lixo comum. Segundo o The New York Times a medida teria início a partir de 2010. 


Em uma busca rápida, não encontrei nada como desdobramento dessa notícia. Então lanço o desafio. Alguém sabe de algum estado, cidade ou país em que alguma medida como essa já foi adotada?


A Isis me disse agora pouco pelo facebook que ultimamente só faço pergunta difícil. Pode ser, mas se nós consumidores não nos preocuparmos com o nosso lixo, não acho que alguma empresa terá por si só bom senso para se ocupar com isso.


Espero a sua resposta.