Tenho aos poucos podido retomar o hábito da leitura. Depois que se é mãe de um menino cuja frase mais pronunciada quando você está por perto é: Manhéee, vem cá !!!!!!!!!, alguns textos parecem estar escritos em sânscrito para mim. Mas eis que os dias passam e a criança cresce e conseguimos administrar melhor o nosso tempo.
Neste instante começo a me deliciar novamente com o mundo literário e, como no filme a Rosa Púrpura do Cairo, absorvo o que leio e começo a levar o novo conhecimento para o meu dia-a-dia. Nesta gostosa divagação percebi um elo entre a minha leitura atual e a realidade que me cerca. Foi, então, que observei um mundo de ansiedade à minha volta. E um mundo extremamente feminino. Como, nós mulheres, somos ansiosas!
Há sete dias me persegue a ansiedade alheia. E, com apenas um sorriso de silêncio, apenas escuto, sem deixar nenhum rastro que possibilite perpetuar a agonia que paira nos corações de minhas confidentes. Há sete dias tenho exercitado esta difícil postura. E, é lógico, não sei por quanto tempo conseguirei manter esta atitude.
Seria a arte de ouvir para iniciados? Por que teimamos em dar nossa opinião sobre todos os fatos que chegam até nós sem ao menos esperar conhecer todos os ângulos de uma questão? E por quantas vezes percebemos que alguém está à nossa frente com olhar distante sem realmente escutar nada que desejamos compartilhar? Mais do que isso, necessitamos compartilhar, como se isso dependesse a continuidade dos batimentos do nosso coração?
Pois esta semana eu posso dizer que ouvi. Realmente ouvi pessoas que chegaram até mim com problemas diversos e eu realmente apenas escutei. Da minha boca não sairá palavra de julgamento ou de esperança, que incite à luta ou mesmo que console.
As pessoas ansiosas não necessitam cultivar mais apreensão em suas vidas. Necessitam apenas e tão somente de um olhar atento que confirme que estão sendo escutadas. Que no silêncio da sua voz, possa o outro encontrar suas próprias respostas e seguir o seu caminho com menos atropelos, menor velocidade e mais felicidade.
A mudança de curso não acontece em minutos ou mesmo dias, às vezes se leva uma vida toda. A serenidade é um hábito que pede um cultivo delicado. Nem muito sol, nem muita chuva, nem muita sombra. Só assim teremos uma árvore bela para apresentar ao longo da nossa caminhada.