Um dia a gente acorda, sai para trabalhar e no meio do
expediente se pergunta: o que estou fazendo aqui? Acho que você que está me
lendo já deve ter passado por isso alguma vez, ou duas, ou sempre.
Aí chega uma hora em que ou você larga tudo ou simplesmente
enlouquece. Eu não larguei tudo, por isso me sinto enlouquecendo. Há anos.
Envolta em milhares de “e se” , mestra na arte de ponderar e de esperar.
Uma manhã qualquer você acorda e se acha feia, vazia, um
nada. Então é hora de realmente fazer faxina na alma. Mas não é tarefa fácil
essa não. Tem coisas arraigadas, pré-conceitos, a tão sonhada e tão aprisionadora
estabilidade que nos promete uma certeza em um mundo que é feito de incertezas.
De um terreno em cinzas é que brotam sementes, trazidas pelo
não-pensamento, o tempo livre, o pseudo-ócio, o vento do norte e os pássaros do
oeste.
A ousadia não pede planejamento. Antes, precisa ser vivida.
Como se lançar em um terreno fértil e ainda não trabalhado. Se desconstruir
para reconstruir.
Porque a vida é curta. E, pelo menos nesta minha existência,
uma só.





