"Absinto" é uma bebida destilada feito da erva Artemisia absinthium. Anis, funcho e por vezes outras ervas compõem a bebida. Ela foi criada e utilizada primeiramente como remédio pelo Dr. Pierre Ordinaire, médico francês que vivia em Couvet na Suíça por volta de 1792.É também conhecido popularmente de fada verde em virtude de um suposto efeito alucinógeno. Absinto, o blog, é um espaço para delírios pessoais e coletivos. Absinte-se e boa leitura.

quinta-feira, 25 de julho de 2013

Belezas ocultas

Um ano sem escrever neste blog e quem diria que num dia frio, propício à hibernação, é que justamente sairia da minha. Bom, escrever é um ato de alma, e por vezes simplesmente não querer escrever é um ato de se reconhecer ou de não querer se conhecer. Um voto de silêncio, imersa em outros pensamentos, em outras experiências. E eis que a vontade de compartilhar renasce, em uma primavera fora de cronos, em plena sensação de 2 graus negativos, muito para um país tropical como o nosso.
Na placenta deste planeta azulzinho andei descobrindo coisas interessantes. Como este chá chinês (tudo é chinês hoje em dia), o Flowering Teas.

No início da primavera, no sudeste da China, mulheres acordam antes do amanhecer para colherem pequenas flores, ainda tenras, cobertas de orvalho. Depois, são ressecadas e envoltas em folhas de chá verde ou de chá branco, também secas. Os bulbos são amarrados com uma fina linha de algodão. Essas trabalhadoras do campo nem sequer podem comer alimentos com cheiro forte, como cebola e alho, que possam alterar os aromas da planta, que absorve facilmente odores.

Curiosamente encontrei esta iguaria em uma casa de chocolates em Gramado, Rio Grande do Sul. Mais do que experimentar a novidade exótica, me desperta o encantamento, a delicadeza, a feminilidade e efemeridade de todo este processo.

O tecer, o cuidar, o maternar. Meses de espera, horas de trabalho delicado para segundos de beleza.

Quando tinha meus 16 anos, fui assistir a uma palestra de um professor em um encontro nacional de estudantes de Biologia. Ele estudava a biologia humana. Entre os seus slides (era isso que usava na época), o professor mostrou uma tribo indígena que levava meses plantando, colhendo, amassando e secando mandioca para seu consumo em uma espécie de pasta. Depois, mostrou um grupo de macacos-japoneses ou macacos da neve, que em um inverno rigoroso apenas lavam sua comida em água corrente e se alimentavam.

A pergunta que o professor deixava no ar aos futuros biólogos era: quem aproveitava melhor o seu tempo? Os macacos-japoneses nas fontes de água quente ou a tribo indígena com preparo alimentar mais elaborado?

Sai de lá sem uma resposta e hoje quando me deparo com delicadezas como as flowering teas fico a pensar que nos detalhes, no fazer, consiste a beleza humana. Viver vivendo. Há horas de apreciar e há horas de produzir. A medida de cada um é o segredo mais bem guardado. O quanto de tempero devemos colocar em nossas vidas? Ou quantas doses de absinto devemos nos permitir?

Hoje acordei com vontade elaborada. Preparei um chá e ouvi boa música. Deixo aqui para vocês um pouco dessa minha experiência. Espero que gostem.

6 comentários:

  1. Malu bom vc de volta. E nos traz esse texto e esse vídeo tão delicado, combinou com esse dia de chuva aqui.abraços

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    1. Obrigada querido amigo. Também estou contente. Uma amiga acaba de comentar comigo que hoje é dia do escritor. Então, feliz dia para você!

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  2. Malu bem vinda, já tinha saudades, excelente texto e video, gostei imenso.

    beijinho e uma flor

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  3. depois q vim para o Japão, meu jeito de ver as coisas, pessoas, a vida...mudou mto. aprendi mto a notar a delicadeza, a sutileza...a beleza de um pequeno detalhe. a gente é mto educado para apreciar tudo em quantidade, meio de qualquer jeito... E no detalhe, mtas vezes, há mais beleza do que no todo.

    temos horas de produzir, temos horas de repousar. está certo o macaco, que em vez de sofrer no frio fica aquecido nas águas... está certo a tribo, que tem tempo e condição e aproveita para fazer uma comida melhor. tudo tem seu tempo e momento...

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