"Absinto" é uma bebida destilada feito da erva Artemisia absinthium. Anis, funcho e por vezes outras ervas compõem a bebida. Ela foi criada e utilizada primeiramente como remédio pelo Dr. Pierre Ordinaire, médico francês que vivia em Couvet na Suíça por volta de 1792.É também conhecido popularmente de fada verde em virtude de um suposto efeito alucinógeno. Absinto, o blog, é um espaço para delírios pessoais e coletivos. Absinte-se e boa leitura.
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terça-feira, 22 de outubro de 2013

Poesia de corte



 
Há de se cultivar as palavras sinceras
Do contrário a poesia perde o perfume, o sal a cor.
Poesia tem época de floração.
Os versos saem aos montes, aguçados pelo desejo da alma
No aparente vazio, brotam versos, entre os dedos ansiosos.
A mente aquieta-se ao revelar o sentimento.
Escute, está ouvindo a poesia?
Agrada-te? Busque o vaso, colha-a, e coloque no meio da sala.
É época de corte.

terça-feira, 17 de setembro de 2013

Das cinzas



Click na foto e conheça o trabalho de Maria Turchenkova
Enquanto acreditar em teses, minha vida se esvai. Essa foi a última frase que ouvi de minha prima, antes de sua morte. Ela não queria esse mundo. E esse sentimento é tão profundo que quantos de nós não os sentimos todos os dias?

Eu não quero corrupção, mas dou o meu jeitinho. Acredito em parto humanizado, mas me conformo com uma cesariana eletiva. Acho que a mochila do meu filho anda pesada e que é um massacre a cobrança de estudar para um vestibular sobre uma criança de 7 anos, mas matriculo meu filho na escola mais competitiva da cidade. Eu amo dançar, mas não acho tempo. Adoro meus amigos, mas não tenho assunto com eles que não seja do meu interesse. Não sei escutar e quero ser ouvida. Não abraço e quero abraços. Não concordo com o trabalho que faço todos os dias, mas me arrumo e vou. Todos os dias. A vida se esvai por entre meus dedos. Não percebo. A vida se foi. Hoje estou velha e cansada. As pernas atrofiadas, o coração duro, o sorriso fugiu para algum lugar da inocência perdida.

Foi-se. E a fruteira da sala está vazia.

Não carrego memórias felizes, apenas momentos de ausência. Minha vida foi uma enorme ausência de mim mesma. Sem coragem para as coisas que verdadeiramente acredito.
Não me impus, não me encontrei, não me realizei. Agora sou sombra sem afago.

Hoje um véu se desvendou. Antes de enterrar minha prima, desenterro minha alma e volto ao jardim do mundo. Vou buscar o encanto. 

Hoje, amanheci mais leve.

quinta-feira, 25 de julho de 2013

Belezas ocultas

Um ano sem escrever neste blog e quem diria que num dia frio, propício à hibernação, é que justamente sairia da minha. Bom, escrever é um ato de alma, e por vezes simplesmente não querer escrever é um ato de se reconhecer ou de não querer se conhecer. Um voto de silêncio, imersa em outros pensamentos, em outras experiências. E eis que a vontade de compartilhar renasce, em uma primavera fora de cronos, em plena sensação de 2 graus negativos, muito para um país tropical como o nosso.
Na placenta deste planeta azulzinho andei descobrindo coisas interessantes. Como este chá chinês (tudo é chinês hoje em dia), o Flowering Teas.

No início da primavera, no sudeste da China, mulheres acordam antes do amanhecer para colherem pequenas flores, ainda tenras, cobertas de orvalho. Depois, são ressecadas e envoltas em folhas de chá verde ou de chá branco, também secas. Os bulbos são amarrados com uma fina linha de algodão. Essas trabalhadoras do campo nem sequer podem comer alimentos com cheiro forte, como cebola e alho, que possam alterar os aromas da planta, que absorve facilmente odores.

Curiosamente encontrei esta iguaria em uma casa de chocolates em Gramado, Rio Grande do Sul. Mais do que experimentar a novidade exótica, me desperta o encantamento, a delicadeza, a feminilidade e efemeridade de todo este processo.

O tecer, o cuidar, o maternar. Meses de espera, horas de trabalho delicado para segundos de beleza.

Quando tinha meus 16 anos, fui assistir a uma palestra de um professor em um encontro nacional de estudantes de Biologia. Ele estudava a biologia humana. Entre os seus slides (era isso que usava na época), o professor mostrou uma tribo indígena que levava meses plantando, colhendo, amassando e secando mandioca para seu consumo em uma espécie de pasta. Depois, mostrou um grupo de macacos-japoneses ou macacos da neve, que em um inverno rigoroso apenas lavam sua comida em água corrente e se alimentavam.

A pergunta que o professor deixava no ar aos futuros biólogos era: quem aproveitava melhor o seu tempo? Os macacos-japoneses nas fontes de água quente ou a tribo indígena com preparo alimentar mais elaborado?

Sai de lá sem uma resposta e hoje quando me deparo com delicadezas como as flowering teas fico a pensar que nos detalhes, no fazer, consiste a beleza humana. Viver vivendo. Há horas de apreciar e há horas de produzir. A medida de cada um é o segredo mais bem guardado. O quanto de tempero devemos colocar em nossas vidas? Ou quantas doses de absinto devemos nos permitir?

Hoje acordei com vontade elaborada. Preparei um chá e ouvi boa música. Deixo aqui para vocês um pouco dessa minha experiência. Espero que gostem.

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

O Chato é ser bruxa


Recentemente fui convidada para escrever no site LUGAR DE MÃE É AQUI. O site tem uma proposta muito boa para falar sobre maternidade e vale ser adicionado nos favoritos. Transcrevo aqui a minha contribuição.
A mulher sábia, significado da palavra bruxa em sânscrito

E foram felizes para sempre. Contudo, como dizem, para sempre é muito tempo e, para quem já tem mais de 25 anos, já ficou óbvio que felicidade é um estado inconstante do espírito, um sentimento bem fragmentado que pode durar segundos, se ausentar por horas e retornar por poucos minutos várias vezes em um mesmo dia.

As crianças são assim. Do “eu te odeio” para a frase oposta é só uma questão de se interessarem por outra cena, outro brinquedo ou jogo. Mas não se iludam. Quantos sentimentos estão sendo elaborados em um sim e em um não que damos aos nossos pequenos. E como nos corrói a alma quando nos sentimos inseguros na hora de dizer estas palavrinhas.

Para o leitor, pode parecer bobo, mas só há pouco tempo descobri que as bruxas dos contos de fadas na verdade são mulheres idosas com suas vastas e mal cuidadas cabeleiras brancas e, em muitas histórias, detentoras de uma cobiçada sabedoria e conhecimento da vida. Mas é compreensível a minha ignorância. Afinal, eu nunca me identifiquei com a bruxa da história! Sempre me via na alma de princesa a espera do belo e valente príncipe.

Mas isto fica para outra vez. Nosso tema aqui são as crianças e as bruxas. E de repente me vejo interpretando perfeitamente a madrasta má da cinderela, a bruxa de João e Maria ou a de Rapunzel. Ser mãe é ser bruxa. No entanto, é preciso ter outra leitura do que seria bruxaria. Estamos forjando pequenos seres para um mundo melhor e nem sempre sabemos se estamos certos das nossas escolhas. Por isso Freud já dizia: “relaxa, mãe, de qualquer maneira você terá fracassado”.

Mas espera aí! Também não é porque a perfeição é impossível que não vamos nos esforçar ao máximo para oferecer o que há de melhor aos nossos meninos e meninas, não é mesmo? Mas o que seria oferecer o melhor? Roupas de marca? Passeios caros? Toda a rede de fast food com seus brinquedos descartáveis a qualquer hora do dia ou da noite? Trocar o jantar pela batata frita? Deixar que assistam livremente a qualquer programa na TV? Qual o limite entre a tolerância e a imposição de nossas vontades? Dizer ao filho que ele pode tudo é tão nocivo quanto dizer que ele não pode nada.

A melhor herança que podemos dar aos nossos filhos são raizes e asas


Citando mais uma vez os psicanalistas, 99% do problema dos filhos estão nos pais. A questão não é o problema em si, mas a maneira como o enfrentamos. E, como diriam os budistas, a serenidade da alma é que vai ditar a destreza de conduzirmos cada situação vivida. Quanto mais turbulenta a água, maior a probabilidade de fracasso. Opa! Olha ela aí de novo. Essa palavrinha que assombra a cada mãe e pai consumidos na desonra diante de uma presumível falha. Somos seres imersos na probabilidade da culpa. E, quanto mais nos debatemos neste rio, maior a nossa possibilidade de afogamento.

Então, respirar fundo e sustentar um não bem fundamentado e argumentado, pode render aos nossos príncipes herdeiros um reino alicerçado na confiança do que é certo, do que é ético e do que é ser responsável pelos seus atos. Apoiar os sonhos, sempre, mas com a responsabilidade de nossas escolhas.
Quem é mãe de meninos e meninas por volta dos 9, 10 anos de idade, escutam com frequência a argumentação: “Isso não é justo!” O que seria justo e injusto aos nossos pequenos?

Sigo invocando “las brujas”, as mulheres sábias, para que eu possa educar meu pequeno príncipe com justiça (quase sempre) salomônica. Vamos usando uma tintura ali, um cremezinho aqui, para ficarmos por mais tempo ainda belas, mas é preciso assumir o papel de que ser mãe (e ser pai) nem sempre será o de mocinhos e mocinhas adoráveis. Bom, ninguém disse que seria fácil. Mas não há como negar que é muito bom quando acertamos nesta sintonia. Afinal, quase sempre após um não bem colocado, nossos filhos se apresentam seguros pelo caminho que estamos construindo com eles.

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Um Dia de Gato


Sempre me sinto incomodada com o termo sala de estar.  Este é aquele espaço da casa onde passamos pouco ou nenhum tempo e em que tudo que olhamos nos envia a mensagem: Proibido tocar. Como um santuário, a sala de estar costuma ter móveis caros, peças de vidro, um lugar que espanta crianças e cultuar o passado das cortes reais onde recebia-se o visitante com pompas e distanciamento.

A sala de estar é um lugar sem alma, um fake da vida. Esta, a vida, encontra calor e aconhego na cozinha, nas varandas, no quarto. Por isso fiz na minha casa a sala do fazer. Dos trabalhos manuais, dos deveres escolares repletos de cola, tesoura e lápis colorido, dos jornais mal dobrados e revistas marcadas para serem lidas mais tarde. Do sofá gasto das conversas com os amigos regadas a café e cerveja.

Uma vez fiz um almoço em minha casa para amigos de um antigo trabalho. Foi um dia de mão na massa preparando coletivamente um delicioso bobó de camarão que foi digerido com um bom vinho branco. Embora alguns estivessem visitando minha casa pela primeira vez, fizeram cesta após a refeição. E um destes amigos confessou-me mais tarde como foi mágico dormir sem reservas em uma casa que não era a dele. Naquele dia, todos se sentiram em casa.

Talvez, porque celebrávamos a vida, simplesmente. Naquele dia, tiramos o domingo para sermos felizes. Foi um dia de gato. Dia de Gato é dia de ficar curtindo o nosso lar, dia de cantar sem se importar de ser desafinado, dia de se sentir poderoso por aproveitar o tempo livre que se tem da melhor maneira possível. Aproveitar com quem se quer bem.

Ando preocupada com o relógio na parede da sala de estar. Nele, existem minutos para tudo. Escovar os dentes, arrumar a cama, hora de levantar, hora de dormir, hora de trabalhar, todos os dias da mesma maneira. Onde estão os ponteiros que marcam a hora da vida? Sinto que o compasso do tempo anda acelerado e há tanto que se fazer. Não que a rotina não seja uma parte da vida, mas onde colocar o tempo do improviso? Como conciliar o tempo livre de toda a família, os diferentes quereres e a deliciosa preguiça de simplesmente se jogar na rede? Para onde fugiu o meu Dia de Gato? Dia de lamber a cria, de acordar tarde e não arrumar a cama, de almoçar na rua ou desistir de sair?

Somos almas aceleradas em um grande planeta não tão mais azul, sentadas em suas “salas de estar”, em estado constante de cumpridores de tarefas. Onde está a sala dos pensamentos? Onde está a sala das novas realizações? Vou procurar no telhado, atrás das cortinas, no alpendre da janela. Em algum lugar vou encontrar, quero reencontrar o meu Dia de Gato.

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Desvelo


Olhar dentro do olho é coisa de gente doida, parece. Ninguém olha profundo, Olha no além, aquele olhar perdidim sem entregas nem compromisso. Olhar subterfujo.

Desafio a você a olhar dentro dos meus olhos. Sabe que cor eles são? Sabe se têm brilho ou não? Eles sorriem para você ou estão opacos como gata parindo a cria?

Meus olhos são castanhos escuros. Não são azuis, nem verdes, nem negros como jabuticabas. São comuns à América Latina onde nasci. Mas eles sorriem. Quase sempre.

Devolvo o desafio. Esta semana quero te olhar de perto, bem de pertim mesmo. Dentro de ti, através da sua íris. Quero ver se está feliz ou triste, como se me encarasse no espelho.

O olhar deveria ser diagnóstico de exame médico. Não o fundo, o branco, o entorno e contorno. Lá dentro, na menina (dos olhos), saltam todas as mazelas, todos os dengos. Salta a vida.

Quando olhar dentro dos meus olhos, verá o quanto de mim pode conhecer. Encontro em ti um infinito de possibilidades. Entrego a mim um infinito de procuras. Mas só se olhar, dentro dos meus olhos.

domingo, 8 de abril de 2012

Um bom dia para nascer

Foto: Malu Machado

A coisa mais bela da vida é o nascimento.

Nasci em um dia de primavera, sob o signo de virgem e ascendente em capricórnio.

Nasci em um sábado 13, e, pelo que me consta, esse dia dá muita sorte.
De tempos em temos é necessário renascer. Mudar de vaso, ajeitar a mente com adubo fértil.

Para se ter florada, é preciso remexer a terra. Tudo o que for estático, só perdura em fotografia. Na vida, é preciso nos reinventar o tempo todo.

Prendi o passado na gaveta do meu quarto. Hoje abri a janela, vi um outono ainda quente, com cheiro de esperança. 

Como as sábias da floresta, ando mexendo o meu caldeirão. O cheiro está bom. Parece que algo muito especial se avizinha.

Vou cozinhando o caldo em fogo brando. Cautela é bom para quem renasce. Aos poucos, a dor da mudança já vai ficando para trás. Agora vou curtindo cada minuto de uma nova gravidez, parto de mim mesma, gerando um novo ser, forjado há muitos anos. 

Retiro a casca e renovo a pele. Dói. Mas é bom.

domingo, 15 de janeiro de 2012

Dé jà vu

E como se entrasse em um beco à luz de antigas luminárias, apenas o som dos sapatos a esconder a batida de meu coração, como a censurar meus sentimentos. O vazio do caminho é proporcional ao vazio de alma. A mente reprova cada detalhe pela retina cansada de tantos ângulos já registrados.

Nada me comove ou pelo menos nada me faz sentir prazer novamente em caminhar. O paladar perdido, as horas passadas sem nexo, a música não cantada, a dança guardada, as noites sem rastros.
 
Este é o risco de viver a vida no rascunho, o guardar emoções em um pote secreto para o dia certo deixá-las sair. Se tivesse hoje o poder de abrir a caixa de Pandora, abriria sem pensar e gozaria cada alegria. O guardar das coisas cria mofo e agonia.

domingo, 20 de novembro de 2011

Tá tudo certo. Ou não?



Cansada estou, esgotada.

As forças anímicas parecem sair do meu corpo. Ontem tive uma dor de estômago maluca. Ou melhor, deve ter sido uma dor enviada pelos anjos para que eu ficasse de repouso e desse uma trégua a correria. 

A fadiga não tem haver com cansaço físico, mas mental. O que me faz ficar sem vontade de sentar e compartilhar qualquer escrito neste diário virtual de pensamentos. Mas sinto falta. Sinto falta deste exercício. Sinto falta de conversar sobre assuntos que me caem nas mãos inesperadamente.

Mas hoje, hoje apenas deixo um olá, um estou por aqui, ainda, curtindo este frio e engolindo sapos que não posso desabafar. Por hora. E talvez nunca me permita.

Os salmões lutam tanto para nadar contra a correnteza e se reproduzirem e a maioria morre nesta tentativa. Não por cansaço, mas pela quantidade de cortisol que produzem em seu corpo para vencer a situação de stress.

Não quero morrer de cortisol. (Mais nobre seria me embebedar de absinto). Se a chuva parar, vou fazer uma caminhada até à Lua. Talvez chegue até Marte, deus da guerra. Ando precisando recrutar alguns soldados para dizer umas verdades por aí.



sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Absinto revelado

Vasken Brudian ", da Arte e Arquitetura: Um Discurso Contemporâneo"
Ando desvairada pela essência da vida. Amanheço com cobiça pelo experimento. Quase no topo da minha estrada cronológica, começo a envergar os ombros e questionar o tempo da descida. E, dentro do que é absolutamente presumível na existência humana, inicio uma entrega aos prazeres da arte. 

Descubro tintas, lãs, retomo às escritas não mais tão secretas. Como na primeira infância, absorvo tudo o que ouço e vejo, só que com ares de sabedoria. (Como somos tolos em acreditar que realmente sabemos alguma coisa neste imenso oceano de sentimentos).


Por puro instinto, sigo o que determina a biologia humana, aproveitando ao máximo as forças anímicas que ainda permitem meus traços de juventude. Cronos é impiedoso.

E um novo deus vem tomando meus devaneios, o deus das possibilidades, das tentativas sem culpas, sem expectativas. 


Já passou o tempo de provar ao mundo minha capacidade. O que fica, agora, é o gozo, a celebração da vida em toda sua plenitude.

Neste ritmo, vou me permitindo a ousadia de pisar em territórios antes inexplorados. O processo criativo tem muito de transpiração e pouco, muito pouco de inspiração. Mas é preciso estar atento para que algo se transforme em arte. 

As tintas, as letras, tecidos e agulhas. Tudo neste momento me permeia e tudo me interessa. 

Retiro do baú mil projetos abandonados e tento entrelaçá-los em uma ardilosa teia que conspira a favor do humano.

segunda-feira, 29 de março de 2010

Absinto de Outono


Todo início de outono me lembra o Rio de Janeiro. É aquele tempinho ameno, o sol se despedindo, um calor gostoso e suportável. Época boa para se ler um bom jornal à beira da praia tomando água de coco.
O Rio é cidade democrática. É possível realizar passeios inesquecíveis com poucas moedas. Ainda é assim, porque a natureza não cobra do observador.
Em caminhadas matinais pela Floresta da Tijuca, é possível sentir o cheiro de café feito nas casas dos administradores logo cedo, fumaça saindo pela chaminé, cenário improvável. Nas curvas da mata, caminhos nos convidando a se perder para o todo sempre.
Esqueça o Cristo. E pelo amor de Deus, esqueça os shopping centers !!!

Para compreender bem o que disse no parágrafo anterior, o Cristo para o carioca é uma benção constante. Não precisamos visitá-lo. Ele nos visita a cada instante, enquanto percorremos a cidade.
Vá mais à adiante, fuja do lugar comum. Veja de um ângulo só seu. O por-do- sol mais bonito que você vai encontrar no Rio, não está em Ipanema, mas saboreando um chopp no Garota da Urca.


Passear pelo centro do Rio em um fim de semana é outro programa a parte. Ande pelas ruas olhando para cima. Todos os anos de império e da velha república ainda estão lá, acredite.
E se você for até Realengo, Vila Isabel, Campo Grande, ainda vai encontrar por lá casas com quintais repletos de frutas no pé.
Domingo na Lapa famílias inteiras ainda se reúnem para a tradicional macarronada. Quer saber aonde? Elas juntam as mesas nas calçadas para o grande banquete.
Os casarios do Bairro Peixoto e do Cosme Velho são um capítulo à parte. Santa Tereza também é.
Espere um pouco. Santa Tereza não. Isto é pouco para este lugar tão especial, tão único. Santa é um livro inteiro de possibilidades. Talvez a cidadezinha do interior mais cosmopolita do planeta.
A vista da Avenida Niemeyer à noite é inebriante. Uma noite por lá também pode ser. Quem conhece, sabe do que estou falando.
Posso eternamente preencher páginas sobre o Rio e seus lugares secretos. Mas o que me interessa dizer é que existe uma cidade preciosa por entre carros e poeira, prédios e concreto. Ela ainda está lá. Exuberante, para quem tem olhos de ver e fome de sentimentos.

domingo, 7 de março de 2010

Para relembrar e pensar



Imagino como serei eu, uma jovem senhora aos 63 anos. Não penso em subir aos palcos. Prefiro permanecer longe dos refletores e me esconder atrás das letras, enquanto isso me der prazer e ainda for capaz de inspirar alguém para a minha leitura.


Mas confesso que saber amadurecer é uma arte dolorosa. O corpo se esvai, a mente ganha outros contornos e desafios.

Um corpo preso aos valores ditados pelos profissionais da beleza inspira falsidade. Porém, atire a primeira pedra quem não compraria o elixir da eterna juventude.


Em 23 de agosto de 1945, nascia na cidade de Turim, Itália, aquela que viria a ser um desses sucessos internacionais indiscutíveis. Gostando ou não, quem está neste planeta desde os anos 60 e 70, em algum momento curtiu Datemi um martello.

Quebrando tabus, a menina de cabelos ruivos escandalizou o mundo ao assumir o romance com seu produtor e descobridor, o cantor italiano Teddy Reno. Teddy era casado na época com Livia Protti e não existia divórcio na Itália até 1970. Em 1971 Rita e Teddy se casaram oficialmente.


Estes dias, recebi de uma amiga um vídeo com aquela que seria a última apresentação oficial de Rita Pavone.


Em 2006, aos 63 anos, Rita fez seu show de despedida, revelando um corpo belíssimo para a idade e com uma qualidade vocal invejável.


O que mais me surpreendeu nesta mulher, não foram os contornos lapidados clinicamente e cobertos pelo provocante vestido preto. Antes, me inspira a força de sua interpretação, revelando uma energia vital invejável.


Talvez aos 63 anos eu prefira estar bem mais recatada do que Rita, não sendo a minha a mesma natureza que a dela. Talvez prefira observar os pássaros e cantar antigas canções enquanto preparo um bolo para o lanche dos netos, quem sabe.


Embora não me incomodem algumas rugas que irão surgir no meu rosto, as quais não pretendo esconder, espero estar com saúde e com alguma beleza aos olhos do meu espelho e de quem ainda comigo conviver.


Quero, no entanto, guardar com carinho a vitalidade de Rita e nela me inspirar para novos recomeços.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

A Fada Verde




E este blog inicia a sua jornada nos tempos em que escrever e compartilhar o que se pensa é um ato tão democrático, quanto banal. Imagino que poucos terão paciência para me acompanhar. Mesmo assim, escrevo mais como expressão do que a necessidade de ser compreendida. Talvez uma vontade de auto-análise do cotidiano deste mundo de Corra Lola, corra!
A fada verde me veio como uma imagem de muitas possibilidades. A de traçar paralelos inimagináveis. Como astronomia e leite materno. De tudo o que meu universo possa se interessar. Beber desta fonte é antes de tudo um mergulho de alma. Coisa que modéstia parte faço muito bem. Sem amarras, sem medos, me lanço e não me prendo. Eterna aprendiz, solto minhas fadas, encarno minhas bruxas e vou à luta. Com o universo conspirando sempre, é claro.