"Absinto" é uma bebida destilada feito da erva Artemisia absinthium. Anis, funcho e por vezes outras ervas compõem a bebida. Ela foi criada e utilizada primeiramente como remédio pelo Dr. Pierre Ordinaire, médico francês que vivia em Couvet na Suíça por volta de 1792.É também conhecido popularmente de fada verde em virtude de um suposto efeito alucinógeno. Absinto, o blog, é um espaço para delírios pessoais e coletivos. Absinte-se e boa leitura.
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quarta-feira, 9 de maio de 2012

Desvelo


Olhar dentro do olho é coisa de gente doida, parece. Ninguém olha profundo, Olha no além, aquele olhar perdidim sem entregas nem compromisso. Olhar subterfujo.

Desafio a você a olhar dentro dos meus olhos. Sabe que cor eles são? Sabe se têm brilho ou não? Eles sorriem para você ou estão opacos como gata parindo a cria?

Meus olhos são castanhos escuros. Não são azuis, nem verdes, nem negros como jabuticabas. São comuns à América Latina onde nasci. Mas eles sorriem. Quase sempre.

Devolvo o desafio. Esta semana quero te olhar de perto, bem de pertim mesmo. Dentro de ti, através da sua íris. Quero ver se está feliz ou triste, como se me encarasse no espelho.

O olhar deveria ser diagnóstico de exame médico. Não o fundo, o branco, o entorno e contorno. Lá dentro, na menina (dos olhos), saltam todas as mazelas, todos os dengos. Salta a vida.

Quando olhar dentro dos meus olhos, verá o quanto de mim pode conhecer. Encontro em ti um infinito de possibilidades. Entrego a mim um infinito de procuras. Mas só se olhar, dentro dos meus olhos.

sábado, 13 de março de 2010

Você tem Índice de Valor Humano?





A cena está no filme e no livro Caçador de Pipas. O patriarca, Omar, sai literalmente no braço com o dono de uma quitanda de um bairro do subúrbio novaiorquino. O motivo? Omar não compreende como o comerciante se recusa a lhe vender fiado, já que é seu freguês de todos os dias, e lhe pede que faça a compra com cartão de crédito.

Omar é imigrante ilegal. Homem de muitas posses em seu país, veio para os Estados Unidos fugindo da guerra civil no Afeganistão. Em Cabul, todos os comerciantes vendiam a ele apenas na confiança, certos de que o pagamento viria no final de cada semana.

Minha avó dizia, que seu avô contava, que no tempo deles também era assim. O homem honrado e seu fio de bigode valiam mais do que qualquer papel registrado em cartório.

Hoje, os códigos de conduta não se baseiam mais na palavra empenhada. Tanto que em uma pesquisa realizada pela ONU em 2009, muitos dos brasileiros entrevistados citaram os valores morais como um dos principais itens que precisariam mudar no país para melhorar a vida do cidadão.

Em São Paulo, os valores ficaram em primeiro lugar entre todas as respostas. Por isso, a ONU decidiu fazer uma pesquisa específica para identificar que valores são esses.

A pesquisa vai até o final de maio de 2010. Os resultados vão criar um novo parâmetro para as Nações Unidas: o IVH, Índice de Valor Humano.

Então, vamos tirar as teias de aranha daquele “Livro das Virtudes, que em algumas famílias costumam passar de geração a geração, e que ainda pode ser encontrado nas melhores lojas do ramo, e começar a pensar quais valores você acha que não podem faltar em sua vida.

Na minha lista, o primeiro deles é o respeito. Sempre achei que respeitar o próximo, a vontade do próximo, o momento de silêncio e de euforia do outro (Sem que isto signifique sua negação pessoal, é claro), é o principal alicerce para qualquer tipo de relação.

E não podem faltar a verdade, a honestidade, a solidariedade, o companheirismo, a compaixão. São palavrinhas capazes de revelar o caráter de quem você convive e que vão formar o seu Índice de Valor Humano.

Bom, não sei bem como a ONU vai mensurar isso, e também não sei bem que utilidade prática isso terá. Mas achei interessante essa presença de espírito dos tais pesquisadores. Demonstra, no mínimo, sensibilidade.

Um brinde aos valores. Que sejam renovados, relembrados, e, sobre tudo, praticados.