"Absinto" é uma bebida destilada feito da erva Artemisia absinthium. Anis, funcho e por vezes outras ervas compõem a bebida. Ela foi criada e utilizada primeiramente como remédio pelo Dr. Pierre Ordinaire, médico francês que vivia em Couvet na Suíça por volta de 1792.É também conhecido popularmente de fada verde em virtude de um suposto efeito alucinógeno. Absinto, o blog, é um espaço para delírios pessoais e coletivos. Absinte-se e boa leitura.
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sexta-feira, 2 de agosto de 2013

O Rei acuado




Sempre admirei os jogadores de xadrez, aqueles que conseguem ficar horas pensando estratégias, antecipando cada passo de seu adversário. Xadrez é o jogo dos reis e nas grandes guerras da humanidade a estratégia historicamente é disposta no tabuleiro. Meninos com seus exércitos de bonecos.

Porém, o tempo está mudando. A comunicação cada vez mais ágil deixa o rei nu. Vide o que anda aprontando por aí blogueiros como Yoani Sánchez, sem falar da Turquia, Portugal e as recentes manifestações no Brasil.

Existe uma outra questão neste boot de informações que andamos vivenciando. Em meio a tantas bandeiras, que mundo almejamos? Para onde caminhamos?

Seria sonhador de mais dizer que procuro por um mundo, como diria Rubem Alves, de relacionamentos de frescobol, onde quando um perder todos perdem e não de ping pong, em que para um lado ganhar o outro necessariamente precisa perder?

A humanidade ainda está longe de abandonar o tabuleiro de xadrez ou de pelo menos curtir o jogo pelo jogo. Mas, com certeza, algo grande está para acontecer. E não haverá como esconder as intenções e os jogos duplos de outrora, expostos de uma maneira totalmente nova neste milênio. Se antes andávamos em terra de cego, agora temos mil olhos, em toda parte, em todo canto. Não há mais onde se esconder.

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

O homem que plantava livros



Tzviatko Kinchev_Open ArtGroup



O ser humano só se realiza quando se expressa ou será apenas mais um na multidão

Ele comeria tomates todos os dias. Com bastante azeite.  Tomates vermelhos, bem maduros, tomates carnudos. Comeria de se lambuzar. Devoraria tomates como devorava livros. Sim, livros estão mais ao seu alcance do que os tomates. Tomates brasileiros são verdes e sem gosto. Os livros revelam gostos requintados e infinitos.

Ele montou uma quitanda –biblioteca: Compre um quilo de batatas e leve um livro emprestado. Se trouxer um livro, pode trocar por outro. Pensou em estender a troca com as verduras e legumes: Traga um livro e leve um quilo de cenouras. Em pouco tempo estava lotado de livros mal cuidados e com as contas no vermelho. Voltou ao modelo antigo.

Após os primeiros meses, os livros estavam lambuzados de todas as matizes; do verde quiabo ao roxo berinjela. E ficaram menos atrativos. A vigilância sanitária implicou. Por ele, pararia com as verduras e ficaria com os livros. Mas isso não pagava suas despesas.

Acabou desistindo dos livros. Tornou-se amargo, mal humorado. Envenenado, sem cor.
Um dia, passou por ali uma cigarra esperta que o convidou a segui-la para o campo, onde ele poderia plantar sonhos. Ele aceitou. Hoje cultiva textos e sorri.